ASSOCIAÇÕES ENTRE QUÍMICA FORENSE E ANTROPOLOGIA FORENSE NA ELUCIDAÇÃO DE CASOS COM FRAGMENTAÇÃO DE PROJÉTEIS

Marcos Tadeu Ellery Frota (1),

Valdeana Linard (2),

Renato Evando Moreira Filho (3)

(1) M.Sc., Perícia Forense do Estado do Ceará, Av. Presidente Castelo Branco, 901, Fortaleza/CE; (85) 3101-5049; marcos.frota@pefoce.ce.gov.br

(2) M.Sc., Perícia Forense do Estado do Ceará, Av. Presidente Castelo Branco, 901, Fortaleza/CE; (85) 3101-5049; valdeana.linard@pefoce.ce.gov.br

(3) Ph.D, Universidade Federal do Ceará e Perícia Forense do Estado do Ceará, Av. Presidente Castelo Branco, 901, Fortaleza/CE, (85) 3101-5049; renato.evando@pefoce.ce.gov.br

 

A análise química de fragmentos metálicos encontrados em corpos carbonizados pode auxiliar  na elucidação  da causa mortis no exame antropológico. Em fevereiro de 2016, ingressou no necrotério da Coordenadoria de Medicina Legal da PEFOCE (Perícia Forense do Estado do Ceará), na cidade de Fortaleza, fragmentos de dois corpos humanos carbonizados, que teriam sido vítimas de homicídio por projéteis de arma de fogo, encontrados no interior de um carro, também carbonizado. Os corpos não apresentavam vestes. Foram coletados fragmentos de músculo (psoas maior) para exame de DNA para fins de identificação forense definitiva, que constatou serem, as duas vítimas, do sexo masculino e feminino, filhos biológicos do familiar de onde foi coletado o DNA de referência para confronto. Devido à ausência do segmento cefálico, não foi possível identificar as lesões que pontuassem a causa mortis. No entanto, nos pequenos fragmentos ósseos da região justacervical (porção do tórax superior que se conecta ao pescoço) foram coletados diminutos fragmentos metálicos. Estes, foram enviados para o laboratório de Química Forense da PEFOCE. Verificou-se a presença de chumbo na reação química com rodizonato de sódio, em meio ácido. A verificação foi realizada mediante a pesquisa da mudança de coloração nos vestígios contidos nas fitas de coleta, utilizando-se microscópio marca Zeiss, modelo Primo Star com lente ocular 10x/18 Br.foc. e objetivas planacromáticas de 4x/0,10 e 10x/0,25. Esta observação sugere se tratar de fragmentação de projétil de arma de fogo que ao colidir com o crânio, provocou  dispersão metálica. A despeito da ausência do crânio para análise, considerando que tais fragmentos foram coletados na porção conectiva com os crânios das vítimas; auxiliando na constatação da causa mortis dos corpos analisados, a presença dos fragmentos metálicos, pode ser considerada como prova para se estabelecer a correlação entre vestígio detectado e o fato relacionado. De outra forma, é recomendável haver outros meios de prova para orientação técnica de comprovação definitiva.

REFERÊNCIAS:

ZEICHNER, Arie. Recent developments in methods of chemical analysis in investigations of firearm-related events. Analytical and bioanalytical chemistry, v. 376, n. 8, p. 1178-1191, 2003.

WALLACE, James Smyth. Chemical analysis of firearms, ammunition, and gunshot residue. Crc Press, 2008.

KOPP, Ingvar et al. Lead isotope ratios in lead smears and bullet fragments and application in firearm investigations. Journal of Forensic Science, v. 38, n. 5, p. 1161-1171, 1993.