AVALIAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA DAS MORTES POR CAUSAS EXTERNAS EM IDOSOS NO ESTADO DE SERGIPE

Marcella Menezes Machado (1),

Danilo Rabelo (2),

Gabriela Gomes Moura de Oliveira (3),

Letícia Moreira Fontes (3),

Renata Lima Batalha de Andrade (1),

Flávio Mateus do Sacramento Conceição (3),

Vinicius Alberto Nascimento Brito (1),

Vanessa Rocha de Santana (4),

Sonia Oliveira Lima (5)

(1) Acadêmico de Medicina, Universidade Tiradentes, Aracaju, SE, Brasil

(2) Acadêmico de Medicina, Faculdade de Tecnologia e Ciência – FTC, Salvador, BA, Brasil

(3) Acadêmico de Medicina, Universidade Federal de Sergipe – UFS, Aracaju, SE, Brasil

(4) Médica, professora da Universidade Tiradentes, doutoranda do Programa de Saúde e Ambiente da Universidade Tiradentes, Aracaju, SE, Brasil

(5) Orientadora, Doutora/ Professora Departamento de Medicina Membro permanente do Mestrado e Doutorado do Programa Saúde e Ambiente, Universidade Tiradentes – UNIT, Aracaju, SE, Brasil

As mortes por causas externas ocorridas em maiores de 60 anos vêm crescendo na sociedade brasileira à medida que ocorre o aumento desenfreado da expectativa de vida. Essa classe etária que se resolvia facilmente em casa de parentes ou em asilos adentra na vida social, ocupando cargos, empregos, frequenta universidades e enfrenta o trânsito. Fatores que os tornam reféns das mazelas sociais que todos os outros segmentos etários já experimentam há anos, portanto objetivou-se traçar o perfil das mortes por causas externas em idosos em Sergipe. Foi realizado estudo prospectivo com dados de mortes por causas externas de idosos ocorridas no estado de Sergipe, atendidas no Instituto Médico Legal na cidade de Aracaju-SE no período de abril de 2014 a abril de 2015. A amostra foi coletada, por estudantes de medicina em forma de busca ativa, mediante os dados colhidos nos atestados de óbito e por entrevistas aos familiares dos falecidos. Para a análise espacial o estado de Sergipe foi dividido em 3 mesorregiões de acordo com a divisão do IBGE. Foi aprovada pelo comitê de ética e pesquisa. Ocorreram 2157 óbitos, destes 1632 foram analisados e 181 (11,09%) vítimas eram idosos. Os óbitos ocorreram principalmente em homens (64,6%), de etnia parda (64,6%) e casados (32%). Autônomos (32%), com renda de ½ a 1 salário mínimo (16%), mais de 1 a 5 salários mínimos (11,6%), não alfabetizados (33,1%) e com grau de instrução até a 4ª série (33,1%). O domingo foi o dia com mais ocorrências (22,1%), as vias públicas foram palcos de 58% dos eventos e 51,4% dos óbitos ocorreram nos hospitais. Os acidentes atingiram 50,8% das mortes, sendo 17,1% por queda. A análise espacial mostrou que a mesorregião do Leste Sergipano, onde está situada a capital Aracaju, foi a mais acometida. As mortes por causas externas dos idosos no estado de Sergipe ocorreram com maior frequência no sexo masculino, casados, autônomos, com rendimento salarial responsável por sua manutenção e de parte da sua família. Indivíduos cuja morte representa não apenas o sofrimento emocional como perda financeira para o sustento do lar. Em relação às circunstâncias do evento traumático e mecanismos do trauma, os acidentes configurados pelas quedas e atropelamentos apresentaram frequências superiores aos dos homicídios, o que configura que os idosos têm riscos específicos, merecendo estudo particularizado.