IMPACTO DOS TRANSTORNOS PSIQUIÁTRICOS SOBRE A CAPACIDADE FUNCIONAL E A QUALIDADE DE VIDA

Augusto Soares de Carvalho (1)

Maira Takahashi Felicissimo (2)

(1) Augusto Soares de Carvalho: Médico graduado na UFES, Perito médico Previdenciário, médico Legista da Policia Civil do Estado do Espírito Santo, Título de Especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas, filiação: INSS.

(2) Maíra Takahashi Felicíssimo: Residente Médica de Psiquiatria da Infância e da Adolescência do Instituto Phelippe Pinel, Afiliação: ESAM Escola de Saúde Mental do município do Rio de Janeiro.

Temática : Avaliação da capacidade/ incapacidade/invalidez

 

No panorama atual, os transtornos psiquiátricos são muito prevalentes e acometem de 20% a 30% da população em algum momento da vida. O presente trabalho objetiva analisar o impacto sobre a capacidade funcional e a qualidade de vida nas doenças psiquiátricas, especialmente a depressão. Segundo a Organização Mundial e Saúde (OMS), das dez primeiras causas de incapacidade no mundo, metade está relacionada a transtornos psiquiátricos. A depressão é a principal causa e representa cerca de 27% de todos os anos de incapacidade.  Na sequencia, anemia ferropriva, quedas, etilismo, DPOC, transtorno bipolar, anomalias genéticas, osteoartrose, esquizofrenia, transtorno obsessivo- compulsivo. O quadro clinico da depressão maior se caracteriza por humor depressivo e ou falta de motivação, anedonia e pensamentos e sentimentos negativos, sintomas físicos e insônia, associada com um aumento no risco de pensamentos suicidas, auto-lesões e suicídio. Esse risco persiste ate que ocorra remissão significativa. Mulheres tem risco duas a três vezes maior que homens de adoecer de depressão, principalmente na idade fértil. Mediante pesquisa bibliográfica nota-se que além da alta prevalência, a morbidade das depressões se expressa pelas recorrências, cronicidade, persistência e incapacitação. Cerca de 50% dos deprimidos apresentam um período prodrômico, caracterizado por sintomas ansiosos e depressivos leves. Na medida em que a doença progride, o intervalo entre os episódios se encurta e a gravidade aumenta. Uma parcela significativa cronifica, alternando sintomas de gravidade e duração variáveis e um terço permanece parcial ou totalmente sintomático. As depressões são tratadas com antidepressivos, estimulação magnética transcraniana, eletroconvulsoterapia e psicoterapias. Para ser adequado, o tratamento deve ser talhado a cada paciente e subtipo depressivo, levando em conta resposta e tolerância a eventos adversos. Conclui-se que depressão é um problema de saúde pública que pode ser fatal e a terapêutica é importante na prevenção do suicídio, estimado em 15 % dos pacientes. A completa recuperação funcional do individuo com retorno pleno as condições pessoais, ocupacionais e afetivas pode levar mais tempo e depender de outras abordagens, além da psicofarmacológica.