MORDIDA DE BURRO SELVAGEM (“XUCRO”) EM FUNCIONÁRIO DE FAZENDA NO MT: UM ACIDENTE DE TRABALHO

Manoel Francisco de Campos Neto (1)
Jorge Paulete Vanrell (2)
Vicente Palmiro Silva Lima (3)
Luis Marcos Turdera(4)
Vidal Haddad Junior (5)

(1) Perito Oficial Médico Legista – POLITEC – Seção de
Medicina Legal – Regional de Cáceres-MT e Traumato-Ortopedista da equipe de
TRAUMA e EMERGÊNCIA do HRAF- Hospital Regional Antonio Fontes – Cáceres –
MT – (manoelcamposneto60@gmail.com). (2) Doutor em Ciências; Ex MédicoLegista da Superintendência da Polícia Técnico-Científica da Secretaria da
Segurança Pública de São Paulo, Professor Doutor de Medicina Legal no Curso de
Direito da Universidade Paulista (UNIP); Professor do Máster em Medicina Legal da
Universidade de Valencia (Espanha); Professor de Medicina Legal e de Criminologia
na Academia de Polícia Civil de São Paulo. (3) Traumato-Ortopedista da equipe de
Trauma e Emergência do Hospital Regional de Cáceres-MT. (4) Perito Judicial
Trabalhista e Traumato-Ortopedista da equipe de Trauma e Emergência do Hospital
Regional de Cáceres-MT. (5) Professor de Dermatologia – Universidade Estadual
Paulista – UNESP- Botucatu/SP.

INTRODUÇÃO: Mordidas por equídeos podem ser altamente destrutivas, causando
laceração e amputação de segmentos corporais. RELATO DE CASO: Paciente
masculino, 26 anos, que transportava gado entre os municípios de Jauru e
Comodoro (MT). Durante as paradas para descanso, ele e o irmão foram incumbidos
de domar alguns burros selvagens (“xucros”) que estavam com a boiada. Em um
destes intervalos, ao levar a mão para fixar uma corda no freio ligado à boca do
animal, foi mordido violentamente na mão esquerda e ao puxá-la teve o polegar
decepado. Sentindo dor intensa, a vítima e o irmão fizeram um curativo compressivo
e procuraram socorro médico, levando o dedo amputado. O paciente foi atendido em
Jauru e encaminhado ao Hospital Regional de Cáceres. Avaliação Pré-operatória:
examinado mais de dezesseis horas após o acidente, apresentava o primeiro
quirodáctilo amputado/esmagado na base, com fragmentos restantes de tecidos
musculares e tendões e contaminação por capim e terra. Havia fratura da falange
proximal, com cianose. As estruturas musculares, vasculares e neurais estavam
expostas e laceradas, provocando sangramento abundante. O elevado grau de
destruição (ferimentos cortocontusos, com bordos macerados e irregulares) e
contaminação, descartaram a possibilidades de reimplante. O estudo radiográfico
revelou fratura no 1/3 médio-proximal da 1ª falange do polegar esquerdo. Relatório
Cirúrgico: após lavagem abundante da mão e antebraço com antissépticos e soro
fisiológico, foi aplicado garrote pneumático. A seguir, foi realizada exérese dos
tecidos desvitalizados e identificação das estruturas passíveis de reaproveitamento.
O retalho cutâneo ainda pediculado funcionou como curativo biológico. Suturas
internas colaboraram para cobrir o osso. Foram efetuadas pequenas incisões para a
drenagem espontânea e melhor aderência do enxerto durante a cicatrização. Pósoperatório: fez uso de antibioticoterapia, antinflamatório, analgésico e soro antitetânico. Após alguns dias, o paciente obteve alta hospitalar.. MARCO CONCEITUAL E SÍNTESE: ferimentos por burros “xucros” são raros. Neste caso houve a amputação/arrancamento do polegar esquerdo, provavelmente ocorrida devido ao mecanismo de defesa da vítima no momento da mordida. Como a vítima trabalhava nesse instante, configurou-se um acidente ocupacional.

REFERÊNCIA
Campos Neto, MF, Paulete Vanrell.J., Atlas de Medicina Legal – guia prático para
Médicos e Operadores do Direito – Tomo II – Lesões por animais (p. 263-265) -1 Ed,
Editora LEUD, 2014.