RELATO DE LESÕES EM HUMANOS: ACIDENTES DE TRABALHO CAUSADOS POR MORDIDAS DE RÉPTEIS (JACARÉ-DO-PANTANAL E TEIÚS)

Manoel Francisco de Campos Neto (1),
Vicente Palmiro Silva Lima (2),
Ricardo Augusto Monteiro de Barros Almeida (3),
Jorge Paulete Vanrell (4),
Luis Marcos Turdera(5),
Vidal Haddad Junior (6)

(1) Perito Oficial Médico Legista – POLITEC – Seção de
Medicina Legal – Regional de Cáceres-MT – (manoelcamposneto60@gmail.com).

(2) Ortopedista da equipe de Trauma e Emergência do Hospital Regional de Cáceres-MT.

(3) Faculdade de Medicina de Botucatu – UNESP – São Paulo.

(4) MédicoLegista da Superintendência da Polícia Técnico-Científica da Secretaria da
Segurança Pública de São Paulo, Professor de Medicina Legal e de Criminologia na
Academia de Polícia Civil de São Paulo.

(5) Perito Judicial Trabalhista e Ortopedista
da equipe de Trauma e Emergência do Hospital Regional de Cáceres-MT.

(6) Professor de Dermatologia – Universidade Estadual Paulista – UNESP- Botucatu/SP
(Faculdade de Medicina de Botucatu) São Paulo.

INTRODUÇÃO: Os jacarés-do-Pantanal e os lagartos da família Teiidae são
grandes répteis que chegam a medir respectivamente quatro e meio e dois metros.
Em certas situações estes animais podem se tornar agressivos e provocar graves
lesões em humanos. RELATO DOS CASOS: Relatamos ataques de um jacaré-doPantanal (Caiman yacare) em um funcionário de uma cooperativa de criadores de
jacarés e por teiús (Tupinambis merianae) em lavradores. Estes ocorreram em
dedos das mãos das vítimas, quando os pacientes estavam trabalhando. As
mordidas causaram perda significativa de tecidos moles e fraturas expostas
semelhantes, além de ferimentos corto contusos. Ocorreram ainda amputações e
dilacerações teciduais importantes causados pelos dentes dos animais, que foram
associados a mecanismos de resistência e/ou defesa por parte das vítimas.
Cirurgicamente, a vítima atacada pelo jacaré teve seus ferimentos desbridados com
exérese dos tecidos desvitalizados e do que restou da unha, a fratura de tofo
ungueal foi reduzida e estabilizada, sendo usado para fixação óssea – uma agulha. E
clinicamente, todos os ferimentos (teiús e jacaré-do-Pantanal) foram tratados com
analgésicos, antiinflamatórios e antibioticoterapia profilática. Nos acompanhamentos
não foram detectadas infecções secundárias, a não ser pequenas áreas de necroses
de pele na vítima cirúrgica (pele da polpa digital). MARCO CONCEITUAL E
CONCLUSÕES: Ferimentos por jacarés-do-Pantanal e lagartos teiús não são
comuns no Brasil. Os casos demonstram a grande destruição de tecidos que pode
ser causada pelas mordidas destes répteis e como todos os pacientes trabalhavam
no momento das mordidas, configuram-se acidentes de trabalho que devem servir
de alerta para a população comum e para responsáveis por análises médico-legais e
periciais, pois situações envolvendo animais selvagens e acidentes graves estão em
ascensão em nosso país.

REFERÊNCIAS

1. Haddad, V. Jr., Animais Aquáticos Potencialmente Perigosos do Brasil: Guia
Médico e Biológico [Potentially Dangerous Aquatic Animals of Brazil: A Medical and
Biological Guide]. São Paulo, Brazil: Editora Roca; 2008.
2. Haddad, V. Jr., Duarte MR, Neto DG. Tegu (teiu) bite: report of human injury
caused by a Teiidae lizard. Wilderness Environ Med. 2008; 19(2): 111-3.
3. Campos Neto, MF, Paulete Vanrell, J., Atlas de Medicina Legal – guia prático para
Médicos e Operadores do Direito – Tomo II – Lesões por animais (p. 253 a 255) -1
Ed, Editora LEUD, 2014.
4. Campos Neto, MF, Stolf HO, Haddad , V .Jr Ataque de jacaré a pescador no
Pantanal de Mato Grosso (Brasil): relato de caso Diagn Tratamento. 2013; 18(1):21-
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