INCAPACIDADE LABORAL NA CÂIMBRA DO ESCRIVÃO: RELATO DE CASO

Daniele Muñoz Gianvecchio, Juliana Gibertoni Crepaldi, Victor A. P. Gianvecchio, Valéria M. S. Framil, Daniele Pimentel Maciel, Márcio A. Silva, Daniel Romero Muñoz

 

RESUMO

INTRODUÇÃO: Descrita pela primeira vez em 1700, a Câimbra do Escrivão(CE) é caracterizada por contrações musculares involuntárias, sendo definida como uma distonia focal do tipo tarefa-específica. Observa-se maior incidência entre a terceira e quinta décadas de vida, em ambos os sexos, porém sua prevalência é incerta, uma vez que não existem estudos epidemiológicos suficientes desta patologia. O presente trabalho tem por objetivo avaliar se a Câimbra do Escrivão produz algum tipo de incapacidade para o desempenho das atividades laborais em professores. MARCO CONCEITUAL: É função do médico perito avaliar tecnicamente esses casos, no sentido de determinar se há ou não incapacidade laborativa, em relação às atividades desempenhadas pelo periciando. RESULTADOS: pericianda, sexo feminino, 42 anos, professora de língua portuguesa, procurou assistência nos serviços de ortopedia e neurologia com quadro de cervicalgia irradiada para membro superior direito e dificuldades na grafia, levando-a a desenvolver a escrita com o membro superior esquerdo (MSE). Posteriormente, a queixa de dor evoluiu para o MSE. Relatou que suas atividades laborais envolviam escrita frequente, por exemplo para correção de provas, textos e redações, registro em diário de classe, relatórios de alunos e fichas de ocorrências, entre outras. Formulou-se a hipótese diagnóstica de CE, corroborada por eletroneuromiografia. Encaminhada ao ambulatório de doenças ocupacionais, optou-se por solicitar readaptação profissional para atividades que não exigissem a escrita. Após a mudança de função, houve melhora significativa da sintomatologia. CONCLUSÕES: Observa-se a correlação entre distonia focal do tipo tarefa-específica(CE) e a atividade laboral como professor, visto que, no presente caso, as atividades desenvolvidas pela autora demandavam esforço frequente no membro, devido a necessidade de escrita, implicando em incapacidade parcial e definitiva para o trabalho de docente (dentro da sala de aula).