PRESENÇA DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS EM EXAME TOXICOLÓGICO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES VÍTIMAS DE MORTES VIOLENTAS EM SÃO PAULO

 

Emilio Zuolo Ferro (1)

Victor A. P. Gianvecchio (2)

Daniele Muñoz Gianvecchio (3)

Daniel Romero Muñoz (4)

Carmen Silvia Molleis Gallego Miziara (5)

Ivan Dieb Miziara (6)

(1) Médico Residente de Medicina Legal e Perícia Médica do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

(2) Médico Professor de Medicina Legal e Bioética da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

(3) Médica Legista. Professora do Curso de Especialização em Medicina Legal e Perícias Médicas da FMUSP.

(4) Professor Titular do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

(5) Professora de Medicina Legal e Bioética da Faculdade de Medicina do ABC e da Universidade Nove de Julho.

(6) Professor livre docente associado do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

 

RESUMO

Introdução: O uso crescente de drogas, tanto lícitas quanto ilícitas por crianças e adolescentes, gera preocupações por parte da sociedade como um todo. Seja por sobrecarregar o sistema de saúde com diversos atendimentos e internações evitáveis, por resultar em diversos anos de vida perdidos nesta faixa etária, ou por demandar de novas políticas de saúde pública para combater a venda e o tráfico destas drogas. O presente tem por objetivo descrever a frequência de positividade em exames toxicológicos de crianças e adolescentes autopsiados nas Equipes de Perícias Médico-Legais do Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo (IML/SP) e identificar as principais substâncias encontradas nos exames toxicológicos.

Metodologia: Estudo descritivo transversal documental através da análise dos laudos dos exames necroscópicos de crianças e adolescentes, realizados no ano de 2015, no IML/SP.

Marco conceitual: Devido ao aumento da incidência/prevalência e  uso precoce e abusivo de drogas por crianças e adolescentes, torna-se necessária a identificação de qual substância é mais frequentemente relacionada a óbitos nesse grupo etário.

Resultados: Foram avaliados 126 casos de mortes por causas externas entres crianças e adolescentes (idade: zero a 17anos) com solicitação de exame toxicológico, sendo que 59 (47%) apresentaram resultado positivo. As principais substâncias foram o álcool  etílico e o tricloroetileno em ambos os sexos. No sexo feminino 37,5% de exames foram positivos para álcool etílico e 25% para tricloroetileno. No sexo masculino, 60% para o álcool etílico, 8,75% tricloroetileno e 8,75% para cocaína. Em relação a idade, houve apenas um resultado positivo em uma criança de 10 anos, tendo sido detectado álcool etílico, no exame toxicológico e os demais casos (98,30%) foi positivo em adolescentes.

Conclusão: a frequência de positividade em exames toxicológicos de crianças e  adolescentes autopsiados no IML/SP no ano de 2015 foi de 47% e o álcool etílico foi a substância mais prevalente em ambos os sexos, seguido do tricloroetileno.