ESTIMATIVA DA IDADE CRONOLÓGICA POST MORTEM: RECENTES AVANÇOS METODOLÓGICOS

Fernanda Sobral Scaramussa (1)
Carmen Silva M Galego Miziara (2)
Daniele Muñoz Gianvecchio (3)
Ivan Miziara(4)
Daniel Romero Munoz(5)

¹ Residente de Medicina Legal e Perícia Médica da Universidade de São Paulo.

² Professora do curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da FMUSP.

³ Professor Associado do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo.

4 Professor titular do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Universidade de São Paulo.

Contato: nandascaramussa@gmail.com

INTRODUÇÃO

A identificação humana é um dos grandes focos da antropologia forense, incluindo a determinação da idade de corpos ou restos humanos desconhecidos. Grande parte dos métodos tradicionais aplicados com essa finalidade são imprecisos, portanto, o desenvolvimento e o conhecimento de novas técnicas são de fundamental importância. Este estudo objetivou fornecer dados atualizados versando sobre métodos de identificação humana relativos à estimativa de idade cronológica.

MÉTODO

Estudo descritivo por meio de revisão bibliográfica dos últimos cinco anos. As bases de dados utilizadas foram: Pubmed e Google Acadêmico. Os descritores empregados foram: determinação da idade pelo esqueleto/age determination by skeleton; antropologia forense/forensic anthropology; autopsia/autopsy; idade/age; cronologia/chronology. Critérios de inclusão: Artigos obtidos na íntegra.

MARCO CONCEITUAL

Artigos de atualização sobre novos métodos de determinação da idade aplicados à medicina legal.

RESULTADOS

Análises por imagem de alta resolução: ressonância magnética e tomografia computadorizada multislices. Estudos mostram que a análise da epífise média da clavícula, sínfise púbica, suturas cranianas, esterno, acetábulo, seios da face, elementos dentários, etc. (1) são estruturas que permitem a estimativa da idade da pessoa com ampla segurança. Exame anatômico de estruturas dentárias, tais como das articulações, determinação das densidades minerais ósseas dos terceiros molares, histologia da câmara pulpar e da raiz dos molares mandibulares são métodos eficazes. Biologia molecular: análise de radiocarbono de tecidos moles incluindo os em estado de degeneração – baseado na remodelação de tecidos humanos, podendo ser aplicado em cristalino ou em esmalte dentário, entre outros (2). Análise da racemização do ácido aspártico (formas L e D) em dentina do terceiro molar – considerada de alta acurácia na determinação da idade cronológica, sendo os dentes (3). Aplicação da biologia molecular em genomas humanos (metilação do DNA), dosagem dos marcadores biológicos, acúmulo de chumbo, encurtamento de telômeros e, por fim, as mutações mitocondriais são novos métodos descritos (2,3).

DISCUSSÃO

Com o avançar da idade, processos naturais alteram células e tecidos, sendo caracterizados por modificações moleculares ou por acúmulo de produtos. Dessa forma, a aplicação de métodos moleculares poderão auxiliar de forma contundente a investigação forense quando a determinação da idade cronológica humana é necessária. CONSIDERAÇÕES FINAIS: Embora muitos métodos de investigações antropológicas para a determinação da idade no campo forense estejam em pleno desenvolvimento no mundo, as limitações de suas aplicações se baseiam, sobretudo, em baixo aprimoramento técnico disponível para a prática médica no Brasil. No entanto, isso não impede que os médicos obtenham conhecimento delas.