ESTRANGULAMENTO HOMICIDA SIMULANDO ENFORCAMENTO SUICIDA: RELATO DE CASO

Karla Simone de Avelar Rocha (1)
Carmen Silvia Molleis Galego Miziara (2)
Daniele Muñoz Gianvecchio (3)
Ivan Dieb Miziara(4)
Daniel Romero Muñoz (5)

1 Médica Residente de Medicina Legal e Perícia Médica do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

2 Professora do curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da FMUSP.

3 Professora do curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da FMUSP.

4 Professor associado do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da FMUSP.

5 Professor Titular do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da FMUSP.

Contato: Departamento de Medicina Legal, Ética Médica, Medicina Social e do Trabalho da FMUSP. LIM-40. Av. Dr. Arnaldo, 455 – Cerqueira César. CEP: 01246-903. São Paulo-SP. Telefone: (11) 3061-8407. Email: preceptoria_iof@yahoo.com.br

 

INTRODUÇÃO

Morte por asfixia ocasionada por constrição cervical e sua correlação com a causa jurídica é uma demanda comum na prática médico-legal. A autópsia acautelada é instrumento de grande importância nesses casos para diferenciar enforcamento de estrangulamento.

OBJETIVO

Mostrar os principais aspectos que auxiliam na diferenciação de lesões cervicais causadas por enforcamento e estrangulamento.

MÉTODO

Relato de caso: mulher de 34 anos de idade é encontrada morta sentada no sofá com um fio enrolado no pescoço, e uma das extremidades presa à janela. O exame externo mostrou sulco transverso ao maior eixo do pescoço, na transição do terço médio para o superior, contínuo e com profundidade constante, congestão cervicofacial e de conjuntivas orbiculares, edema palpebral, cianose facial, petéquias em face e em mucosas palpebrais, equimoses de idades diferentes e escoriações nas mãos. Ao exame interno da região cervical observou-se infiltrado hemático em terço médio da musculatura, laringe e adventícia da carótida esquerda; sem fraturas ósseas. Ao exame toxicológico, constatou-se alcoolemia (3,2g/L) e benzoilecgonina

MARCO CONCEITUAL

A diferenciação entre as lesões cervicais causadas por homicídio ou suicídio nem sempre é fácil. Portanto, a revisão do tema é de grande interesse.

DISCUSSÃO

Os achados necroscópicos foram determinantes para a conclusão, pois a autoridade policial tem como primeiro entendimento da ocorrência um suicídio. As características do sulco cervical, as lesões corporais em diferentes fases de consolidação e o elevado nível de alcoolemia, confirmaram a tese de homicídio. Enforcamento e estrangulamento são asfixias mecânicas. No primeiro caso, o peso da vítima é a força ativa e, no segundo, é uma força diversa. O enforcamento é frequente em suicídios, mas é preciso excluir acidente ou homicídio. O sulco é normalmente único e oblíquo com relação ao eixo do pescoço, situa-se entre a borda superior da laringe e o osso hioide, e essas estruturas frequentemente estão fraturadas. É raro encontrar focos de hemorragia. O estrangulamento é frequente em homicídios, e o sulco se situa na topografia da laringe, sua direção é em geral horizontal e sem interrupções.

CONCLUSÃO

A análise detalhada das características da região cervical, em associação com outros vestígios no corpo da vítima, podem elucidar fatos em que a cena do crime foi dolosamente alterada.