O PROCESSO DE COMUNICAÇÃO DE MÁS NOTÍCIAS PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: REVISÃO DE LITERATURA

Victória Cassioti Teodoro (1)
Luan Salguero de Aguiar (2)
Camila Fernandes Romeiro (3)
Carmen Silvia Molleis Galego Miziara (4)  

 

1 Discente do curso de Medicina da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), email: victoriacassioti@gmail.com

2 Discente do curso de Medicina da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), email: luan.salguero@gmail.com

3 Discente do curso de Medicina da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), email: cfromeiro@hotmail.com

4 Professora do curso de Especialização em Medicina Legal e Perícia Médica da FMUSP, email: carmen.miziara@hc.fm.usp.br

 

INTRODUÇÃO

Má notícia é definida como uma informação que, quando percebida, causa desequilíbrio emocional por longo período, afetando o indivíduo que a recebe, seus familiares, amigos e, no contexto médico, os profissionais da saúde. Dessa forma, o presente trabalho se propõe a mostrar as principais dificuldades, preferências e dilemas em comunicar a má notícia para pacientes pediátricos.

MÉTODOS

Revisão de literatura na base de dados PubMed, com os descritores Truth Disclosure, Communication, Pediatrics, Adolescent e Child nos últimos cinco anos. Foram incluídos textos na íntegra que continham no título e/ou abstract palavras relativas ao tema. Foram excluídos trabalhos específicos a uma determinada doença, com exceção do câncer.

MARCO CONCEITUAL

A falta de estudos e a padronização a respeito de más notícias para pacientes pediátricos demonstram a carência de estudos a respeito do tema.

RESULTADO

Foram encontrados 11 artigos e, após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados quatro, dos quais um versava sobre aspectos éticos sobre a dispensação da notícia ao paciente pediátrico e três sobre preferências da comunicação da má notícia conforme visão dos pais, médicos e pacientes – sendo dois no modelo de entrevista e um de questionário.

CONCLUSÃO

Todos os artigos enfatizam a escassez de trabalhos sobre o tema de más notícias na faixa pediátrica. Existem guidelines com recomendações sobre o assunto confirmadas pelas preferências dos pais e pacientes publicadas em outros estudos científicos. Dentre elas, foi pontuado o fato de não esconder o diagnóstico, envolver a criança ou adolescente nas decisões a respeito da sua doença sem que isso comprometa o tratamento, dar tempo suficiente para a assimilação das informações, entre outras. Além disso, são citadas razões éticas para não esconder uma má notícia da criança ou adolescente: o respeito à sua autonomia; o fortalecimento da relação médico paciente e a melhora da qualidade de vida na medida em que se diminui medo e ansiedade. Assim, a falta de padronização e métodos que abordem o tema da comunicação da má notícia na pediatria promove uma heterogeneidade no processo. Isso pode prejudicar os pacientes e familiares envolvidos na medida em que questões éticas não são respeitadas.