A PERÍCIA MÉDICA EM CASO SUSPEITO DE ASBESTOSE, E A REALIZAÇÃO DE EXAMES COM PECULARIDADES ESPECÍFICAS

Os autores informam não haver conflito de interesse.

Eduardo Andrade Ribeiro (1)

Mylena J. A. Ribeiro (2)

Heloysa J. A. Ribeiro (3)

(1) Prefeitura de Minaçu. Minaçu, GO.

(2) Universidade de Rio Verde. Goianésia, GO.

(3) Faculdade de Ceres – FACERES.  São José do Rio Preto, SP.

Email: earibeiro@gmail.com

INTRODUÇÃO

 A exposição ao amianto pode levar ao desenvolvimento de uma fibrose pulmonar, que recebe o nome de asbestose. O seu diagnóstico segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) deve ser feito com a associação de exame clínico, espirometria, Raio X de tórax, histórico de exposição, e a tomografia de tórax de alta resolução (TCAR), não sendo necessário a realização de biópsia pulmonar. Entretanto, a execução destes exames exige uma técnica específica para a investigação de pneumoconiose, que não sendo seguida, ocasiona contestação e impugnação da perícia médica.

METODOLOGIA

Este estudo consiste em uma investigação de natureza qualitativa, executada através da pesquisa documental, com textos previamente selecionados através das palavras-chave amianto e perícia médica. Foram incluídos trabalhos publicados entre o período de 1980 a 2020, indexados no LILACS, Scielo e PUBMED.

MARCO CONCEITUAL

A fibrose pulmonar ocasionada pela exposição ao amianto (asbestose) inicia-se na parte inferior e posterior do pulmão, e para sua investigação faz necessário que seja realizado técnicas específicas para seu diagnóstico.

RESULTADOS

Os trabalhos mostram a necessidade da realização da TCAR em decúbito ventral, pois a posição tradicional, decúbito dorsal, pode ocasionar estase de decúbito na parte posterior do pulmão, e gerar falsas imagens de fibrose. O Raio X de tórax deve ser feito na técnica padrão OIT, e obrigatoriamente deve ser impresso em película de RX, e não pode ser em tamanho reduzido. O exame de espirometria mostra padrão restritivo, e nunca obstrutivo, e deve ser feito em aparelho calibrado semanalmente. No exame clínico, em casos iniciais de asbestose, pode ser normal, mas com a evolução é constatado crepitações em base pulmonar, sendo roncos e sibilos não relacionados a esta patologia.

CONCLUSÕES

A técnica utilizada nos exames para a investigação de asbestose são determinantes para uma correta perícia, e devem ser assinaladas na solicitação dos exames complementares, pois exigem peculiaridades específicas para a investigação desta patologia. Não existe um exame isolado que seja padrão ouro de diagnóstico, sendo necessário a associação dos achados clínicos e complementares para a conclusão do laudo.


Referências bibliográficas

  1. CASTRO,H.A.; BETHLEM,E.P.; GOMES,V.B.;MENDONÇA,I.C.T.;LEMLE,A. E. Os principais métodos diagnósticos da asbestose. Pulmão RJ , Rio de Janeiro, 10(4), p. 38-47, 2001.
  2. CAPELOZZI,E.R. Asbesto, Asbestose e câncer: critérios diagnósticos. J. Pneumologia , 27(4), p. 206- 2018, 2001.