SÍNDROME DE AUTOLESÃO NÃO SUICIDA: PREDISPOSIÇÃO A CONSEQUÊNCIAS NEGATIVAS

Os autores informam não haver conflito de interesse.

Henrique Nicola Santo Antonio Bernardo (1)

Felipe Mazari Sgobbi (1)

Letícia Silvestri Paludetto (1)

Daniela Mieko Abe (2)

Fabiana Iglesias de Carvalho (3)

Carmen Silvia Molleis Galego Miziara (4)

(1) Acadêmico da Faculdade de Medicina do ABC, São Paulo, Brasil.

(2) Instituto Médico Legal, São Paulo, Brasil.

(3) Centro Universitário Saúde ABC, São Paulo, Brasil. 

(4) FMUSP, São Paulo, Brasil.

E-mail: henriquesantoantonio@gmail.com.

INTRODUÇÃO

A Sociedade Internacional para o Estudos da Autolesão (2007) definiu a Síndrome de Autolesão Não Suicida “como a destruição deliberada e autoinfligida ao tecido corporal sem intenção suicida consciente, não socialmente aceita para a própria cultura ou com intenção de exibicionismo, incluindo comportamentos como cortar, queimar, morder e arranhar a pele”. Somam-se interferências na cicatrização de feridas, choques da cabeça contra objetos, coçar, golpes infligidos ao corpo, overdose. Quando cortantes, geralmente concentram-se na parte anterior das coxas, antebraços, abdome e pescoço. Essas lesões são subnotificadas, pois a maioria dos que a praticam não procura atendimento médico. Diagnóstico tardio e desconhecimento dos fatores predisponentes podem levar a desfechos negativos.

METODOLOGIA

Estudo qualitativo de revisão narrativa de literatura buscando informações sobre a autolesão não suicida.

MARCO CONCEITUAL

Analisar e discutir a relação da autolesão não suicida com fatores predisponentes e suas consequências.

RESULTADOS

A autolesão não suicida, na prática, configura um marco dos riscos para o desenvolvimento durante o início da fase adulta. A faixa etária mais prevalente de é entre 12 e 16 anos, tendo relação direta com comportamento suicida. Outros fatores associados são a submissão a tratamentos depreciativos, bullying, transtornos de sono e ansiedade, estresse pós- traumático e uso de drogas. Há a maior probabilidade de enfrentar problemas sociais com sequelas psicossociais que persistem, além de outras consequências diversas3. O reconhecimento clínico é de suma importância, com obrigatoriedade de notificação. Os que demandam atenção apresentam lesões de corte superficial em regiões de fácil acesso, de distal para proximal em membros, cortes paralelos e com maior gravidade no lado contralateral ao lado dominante do paciente. Isso caracteriza o “cutting”, um marco essencial para diagnóstico de autolesão não suicida.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

As autolesões não suicidas, com destaque para o “cutting”, se não diagnosticadas e tratadas adequadamente, podem culminar com o suicídio e outros desfechos psicossociais. A anamnese atenta permite estabelecer o diagnóstico precoce, fatores predisponentes e o tratamento efetivo dessa condição, cuja notificação é obrigatória.


Referências bibliográficas

  1. International Society for the Study of Self Injury – International Society for the Study of Self Injury. International Society for the Study of Self Injury. Disponível em: <https://itriples.org/>. Acesso em: 4 Dec.
  2. CARMO, J. D. S. et al. Autolesão não suicida na adolescência como fator de predisposição ao suicídio. Saúde, Ética & Justiça, v. 25, n. 1, p. 3–9, 3 jul. 2020.
  3. BORSCHMANN, D. R. 20-year outcomes in adolescents who self-harm: a population-based cohort study. v. 1, p. 8,