Os autores informam que não há conflito de interesse.
Allana Christina Fortunato Maciel
Rafael Soares Pinheiro
Victor Alexandre Percinio Gianvecchio
INTRODUÇÃO: A identificação corresponde ao conjunto de procedimentos diversos para individualizar uma pessoa ou objeto. Dentro os processos de análise de um crime, destaca-se a Genética Forense que estuda as características por meio da análise de DNA. No entanto, há circunstâncias em o DNA não conseguem fornecer a identificação inequívoca de um indivíduo, como no caso de gêmeos monozigóticos (GM). Considerando-se que a probabilidade de GM é de, aproximadamente, 3 em 1.000 nascimentos diferenciar tais indivíduos geneticamente idênticos é de extrema relevância para o campo forense.
OBJETIVOS: Revisar os principais métodos de diferenciação de GM no âmbito da perícia criminal.
MÉTODOS: O estudo consistiu em uma revisão sistemática seguindo as instruções metodológicas descritas nas diretrizes PRISMA. Foram excluídos os estudos que não atenderam aos critérios da revisão sistemática, principalmente no que diz respeito aos parâmetros de relevância e relação explícita com a temática investigada, além de estudos duplicados. Após esta etapa, 35 artigos foram incluídos no estudo.
RESULTADO: A International Criminal Police Organization (INTERPOL) considera como metodologias primárias de identificação a análise datiloscópica, dos arcos dentários, do perfil genético (DNA) e do número de série de próteses/ implantes, contudo nem sempre essas metodologias apresentam completo êxito na diferenciação de GM. Algumas técnicas auxiliares, como rugoscopia, queiloscopia e biometria ocular vem se mostrando promissoras. Em relação ao DNA, a técnica Massively Parallel Sequencing (MPS) com a análise de polimorfismo de nucleotídeos únicos (SNP) nucleares e do perfil de metilação do DNA têm se mostrado eficientes na diferenciação de GM. Além disso, a genotipagem do DNA mitocondrial também revelou diferentes perfis de SNP entre estes indivíduos, com a vantagem de o sequenciamento do genoma mitocondrial ser mais barato que o nuclear e ter maior possibilidade de tipagem em amostras com DNA degradado ou ausente.
CONCLUSÃO: Embora existam vários métodos disponíveis para diferenciar GM, esses métodos podem nem sempre ser efetivamente implementados na prática pois dependem fortemente da qualidade dos vestígios encontrados na cena do crime ou durante o processo investigativo. Nos casos de DNA, já é possível distinguir com segurança os GM pelas técnicas de MPS, contudo são metodologias ainda pendentes de validação cientifica internacional.







