Os autores informam que não há conflito de interesse.
Rebeca Pereira Guédes
Joseph Valadão Fantin
Fabiana Couto de Melo Migiyama
José Rodoolfo Hildebrando Alves Leite
INTRODUÇÃO: A violência contra a mulher, um grave problema de saúde pública, afeta todos os estratos sociais e idades, com o feminicídio sendo a forma mais extrema . Assim, dado o impacto desse tema na vida das mulheres, o problema de saúde pública associado a temática e a carência de dados detalhados sobre os casos de feminícidio na região norte do Brasil, esses são motivos que justificam a elaboração deste estudo. Objetivou-se, dessa forma, realizar uma análise epidemiológica dos casos de feminicídio na região norte do Brasil no ano de 2022.
MATERIAIS E MÉTODOS: Tratou-se de um estudo epidemiológico descritivo baseado em dados secundários do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A análise centrou-se nos casos de feminicídio ocorridos em 2022, com as variáveis consideradas para este estudo as taxas de feminicídio por 100 mil mulheres, o perfil das vítimas (faixa etária e raça/cor), apresentado em porcentagem, e o perfil dos casos (instrumento empregado, tipo de local e relação autor/vítima), também em porcentagem.
RESULTADOS/DISCUSSÕES: Em 2022, Rondônia, Acre, Amapá e Tocantins, com taxas de 3,1, 2,6, 2,2 e 1,9, respectivamente, superaram a média nacional de 1,4, evidenciando a tendência da prática de feminicídio na região Norte do Brasil. Os crimes predominaram em mulheres de 18 a 24 e 40 a 44 anos, predominantemente negras, com uso de arma branca, ocorrendo na residência da vítima e com o companheiro como principal agressor. O perfil epidemiológico identificado, sendo assim, confirma padrões semelhantes aos descritos na literatura existente, reforçando a ideia de que o feminicídio é um tipo de crime de poder e dominação, atingindo os grupos mais fragilizados da sociedade.
CONCLUSÃO: O perfil das vítimas destaca grupos vulneráveis e a ineficácia das medidas de proteção e segurança pública. Desse modo, com os resultados deste estudo, espera-se que a identificação de mulheres mais vulneráveis e o perfil dos casos de feminicídio na região Norte contribuam para o desenvolvimento de intervenções mais eficazes e direcionadas no combate ao feminicídio.







