Resumos

Aspectos Médico-Legais acerca dos óbitos por suicídio na região Norte do Brasil entre 2011-2022.

Os autores informam que não há conflito de interesse.

Gabriel Hegner Garcia

Heitor Trigilio da Silva

Jeferson Lins Batista

Ana Clara Silva Abreu

Gabriel Barbosa Carvalho

Luís Guilherme Dahdah Silva

INTRODUÇÃO: O óbito por lesão autoprovocada configura-se como um fenômeno diversificado, permeado por motivações multifatoriais, as quais abrangem a complexidade da natureza social e psicológica do indivíduo. Sob esse âmbito, dois fatores relevantes são o ambiente desfavorável e a constituição pessoal, especialmente em condições depressivas causadas pelo luto e pela melancolia. Nesse sentido, faz-se imprescindível analisar o contexto e as variáveis que motivam o ser humano a realizar tal comportamento autodestrutivo na região Norte do Brasil, uma localidade, historicamente, marcada pela negligência de políticas públicas de saúde.

MATERIAL E MÉTODO: O estudo analisou dados de suicídios na região Norte do Brasil de 2011 a 2022, utilizando informações do DATASUS e Boletins Epidemiológicos. Comparou-se esses dados com registros nacionais de 2011 a 2021 para identificar características e padrões, visando uma compreensão mais detalhada dos óbitos por suicídio nesse local.

RESULTADOS: Ao longo do período estudado, a região Norte do Brasil apresentou 11.145 casos de suicídio. Em termos de Unidades Federativas, Roraima e Tocantins se destacaram, ocupando 4º e 6º lugares, respectivamente, e o Pará apresentou o maior incremento percentual (72,0%). Outrossim, a distribuição de casos de óbito por lesão autoprovocada apresentou-se de maneira irregular entre homens e mulheres, com valores significativos para o gênero masculino. Em relação à faixa etária das vítimas, nota-se que a mais afetada, durante o período analisado, foi a de 20 a 29 anos, representando 29,72% do total registrado.

DISCUSSÃO: A região Norte do Brasil, destacada pela violência, tem altos índices de óbitos por lesão autoprovocada. Nesse viés, a falta de acesso ao capital e à capacitação profissional amplifica a percepção negativa da vida, o uso de mecanismos violentos, o abuso de substâncias ilícitas e, sobretudo, o suicídio. No que diz respeito ao gênero, a taxa de suicídio é maior entre homens, os quais preferem métodos mais letais, como o enforcamento e o uso de armas de fogo. Mulheres, por outro lado, tendem a abusar da utilização de medicamentos como mecanismo. Ademais, fatores socioculturais, como o patriarcado e a exposição a ambientes violentos, contribuem para essa diferença. No quesito etário, indivíduos de 20 a 29 anos têm a maior frequência de realizar lesões autoprovocadas, influenciados pelas pressões sociais, pelas incertezas sobre o futuro e pelas psicopatologias típicas do século XXI, a citar a depressão, ou seja, o estágio da vida também exerce influência.

CONCLUSÃO: Esse trabalho visou relacionar aspectos médico-legais com a ocorrência de suicídios na região Norte do Brasil, analisando dados do DATASUS entre 2011 e 2023 e comparando com dados nacionais de 2011 a 2021. Com esse estudo, foi possível entender as causas relacionadas e as particularidades epidemiológicas dos óbitos causados por lesão autoprovocada, a fim de elaborar estratégias eficazes de planejamento em saúde.


Referências bibliográficas