Resumos

CORPOS APRISIONADOS E UM LEGADO LIVRE: A UTILIZAÇÃO DE CORPOS DE PRISIONEIROS NO ENSINO MÉDICO

Os autores informam que não há conflito de interesse.

Aluisio Andrade Junior

Pedro Henrique Ramos de Souza

Camila Fernandes Mochiuti

Osvaldo Pelozo JR

Marco Antônio De Angelis

Renata Nunes da Silva

A utilização de corpos de prisioneiros no ensino médico é um tema complexo, sendo crucial discutir os valores éticos e morais envolvidos. Esse estudo apresenta uma análise comparativa dos aspectos éticos, culturais, religiosos e legais relacionadas à doação de corpos de prisioneiros para o ensino e pesquisa. Foi realizada uma revisão não sistemática da literatura, composta por estudos selecionados em bases de dados científicos, que apresentaram conexão entre doação de corpos e prisioneiros. Governos de países como a Coréia do Sul utilizavam corpos de prisioneiros para a formação de estudantes em suas universidades. No entanto, a questão ética no país, antes da ascensão do Cristianismo, foi um empecilho, pois diversos doadores deixaram de doar seus corpos com medo de serem confundidos com prisioneiros. Culturalmente, o Confucionismo era contrário a esse programa, alegando ser uma “objetificação do corpo”. Com a popularização do Cristianismo, esse pensamento foi substituído por um sentimento de altruísmo e ajuda ao próximo. Havia uma preocupação com o monitoramento, legislação e legitimidade do processo. Mesmo sendo realizado de forma legal, o país desenvolveu campanhas que resultaram no aumento de doações pela população, suprindo a necessidade das universidades. Nos Estados Unidos, a utilização desses corpos é regulamentada por leis estaduais e políticas de instituições penitenciárias. Na China, corpos de prisioneiros eram utilizados sem a autorização de parentes ou das próprias vítimas. Em 2015 foi implantado um projeto propondo que prisioneiros não seriam mais fontes viáveis. No entanto, após a data limite, o assunto não foi novamente mencionado. Na Turquia, existe um meio legal para doação de corpos, porém nenhuma pesquisa mencionou a existência de uma lei própria. O principal meio para conseguir cadáveres é utilizar corpos de prisioneiros e de indigentes, sendo eticamente questionado pela população mais pobre. Com a abolição da pena de morte, houve queda no recebimento dos corpos pelas instituições de ensino. A religião tem grande impacto na queda dos números, devido ao princípio pregado da glorificação do corpo, que deve ser preservado, e, com a utilização, transformaria uma ação altruísta em um “pecado”. As políticas relacionadas à doação de corpos de prisioneiros revelam um panorama multifacetado, marcado por questões éticas, culturais, religiosas e legais. Embora alguns países tenham utilizado esses corpos para fins educacionais, a evolução das normas tem diminuído essa prática. A promulgação de leis exemplifica a transição para a doação voluntária, que atende às demandas éticas e legais e promove um espírito de altruísmo e solidariedade social. Porém, o número de corpos doados ainda é pequeno para as necessidades acadêmicas. A Medicina Legal pode contribuir com a criação de novas leis que regulamentem a utilização dos corpos de prisioneiros para o ensino, assegurando respeito aos direitos humanos.


Referências bibliográficas