Resumos

Desigualdades no impacto da implantação do Serviço de Verificação de Óbito sobre a emissão da declaração de óbito segundo perfil do falecido

Os autores informam que não há conflito de interesse.

Bruno Gil De Carvalho Lima

Lucas Cauan Barbosa Cardoso

Larissa Carolina Silva Matias

Pedro Paulo Cordeiro Moura de Morais

INTRODUÇÃO: É necessário reconhecer os padrões de adoecimento das populações, que sinalizam os fatores de morbimortalidade, para que, dessa forma, haja condições de se promover a saúde de forma equânime. E, além disso, perceber predomínio de encaminhamentos indevidos de determinados grupos populacionais a serviços como o IML, onde apenas falecidos por causa externa deveriam ser encaminhados, ou a maior presença de outros grupos no SVO, que denota uma maior dificuldade de acesso à saúde a um perfil de indivíduo específico. Dito isso, observar esses fatores é muito relevante para a saúde pública do país e garantia do direito dos cidadãos.

OBJETIVO: Analisar o impacto da implantação dos Serviços de Verificação de Óbito (SVO) sobre os falecidos por causas naturais segundo aspectos biológicos e sociais no Brasil.

MÉTODOS: Os indicadores analisados foram os percentuais das variáveis de “raça/cor” (branca; parda ou preta), “sexo” (masculino, feminino) “escolaridade” (0-3 anos; 4-11 anos; 12 ou mais anos) e “idade” (0-17 anos; 18-59 anos; 60 anos ou mais) em cada categoria de “médico atestante” (assistente, substituto ou não informado; SVO; IML) para todos os óbitos de causas naturais nos dois anos do estudo, excluindo-se todos os códigos referentes a causas externas e códigos não relacionados a causas de morte, que correspondem aos Capítulos XIX a XXII do CID 10. Foram calculadas as variações desses percentuais durante o intervalo de cinco anos, município a município, obtendo-se as variações percentuais de cada município. Além da variação geral, calculada a partir da variação da média ponderada (pelo número total de óbitos naturais) dos percentuais posteriores em relação à média ponderada anterior à implantação do SVO de todos os municípios. Nesse contexto, foi considerado na variável “médico atestante” que a categoria “não informado”, casos em que o médico não preencheu esse campo sobre ele próprio, corresponde ao profissional dos serviços de atenção à saúde do paciente (assistente ou substituto), por isso foi agrupada a eles. É sabido que as unidades do IML e do SVO são mais fáceis de serem identificadas pela Secretaria Municipal de Saúde a partir da via branca da DO, além de possuírem mais burocracias que impediriam tal erro de lacuna de preenchimento do campo.

RESULTADOS: Durante a coleta de dados, foi percebido que apenas três dos oito municípios do estudo tiveram a implantação no mesmo ano em que foi realizado o cadastro do CNES, Cascavel-PR, Uruaçu-GO e Luziânia-GO. Os demais municípios tiveram de um a cinco anos de diferença, antes ou depois do cadastro. Além disso, o número total de óbitos foi bastante distinta entre os municípios pela diversidade de tamanho que possuem. O encaminhamento geral para os SVO foi maior para os indivíduos do sexo masculino, negros, adultos ou idosos e com baixa escolaridade.

CONCLUSÃO: há diferente impacto no encaminhamento aos SVO quanto à característica dos indivíduos, entretanto ainda há escassez de informações e estudos sobre a temática e desigualdade territorial de prestação do serviço significativa. Conclusões: Conclui-se que o presente estudo confirma a hipótese de investigação de desigualdade de impacto da criação do SVO, a partir da constatação de diferentes variações de encaminhamento a depender de características do indivíduo. Além disso, traz questões importantes sobre essa temática, como o racismo estrutural, desigualdade social, preenchimento inadequado das DO e distribuição territorial desigual do serviço. Por fim, é necessário evidenciar o número ainda reduzido de trabalhos produzidos nessa vertente, mesmo com a grande importância desse tema.


Referências bibliográficas