Os autores informam que não há conflito de interesse.
Carmen Silvia Molleis Galego Miziara
Ana Aguiar
O trabalho em questão se baseia na aplicação de um questionário virtual estruturado (Google Doc) dirigido a estudantes de diferentes anos de graduação de escolas de medicina públicas e privadas no Brasil. O objetivo do estudo foi descrever como a disciplina de bioética é ensinada nessas escolas, em termos de carga horária e de temas abordados em aula. Também procuramos descrever a incidência de episódios antiéticos presenciados entre estudantes, professores e pacientes.
Cerca de metade dos estudantes considerou o ensino de bioética como bom (notas variando de 80% a 100%); parte significativa dos demais relataram que os tópicos ensinados não foram bem cobertos, apontando que muitos professores não tinham conhecimento suficiente em Medicina Legal, o que prejudicava a profundidade e a qualidade das aulas. Em contrapartida, os estudantes sugeriram que, a fim de tentar uma melhoria para tal questão, o ensino de bioética fosse ministrado ao longo dos 6 anos de graduação como uma alternativa para melhorar a disciplina, visto que, na maioria das escolas, o ensino era dado nos primeiros quatro anos de graduação.
A coleta de dados foi feita por meio de um questionário virtual estruturado, aplicado a estudantes de diferentes anos de graduação de escolas de medicina nacionais. O questionário foi elaborado para captar a percepção dos estudantes sobre a carga horária destinada ao ensino de bioética, os temas abordados nas aulas e a incidência de episódios antiéticos testemunhados.
A pesquisa também incluiu perguntas sobre a autopercepção dos estudantes em relação à raça, idade e tipo de instituição (pública ou privada) em que estudavam. Entre os respondentes, a maioria se autodeclarou negra (32%), com idade média de 27 anos, e originária de instituições de ensino superior privadas. Essa demografia é significativa, pois reflete a diversidade racial e a predominância de estudantes em instituições privadas, que podem ter currículos e recursos diferentes das escolas públicas.
Os resultados mostraram uma divisão clara na percepção da qualidade do ensino de bioética. Um dos principais pontos levantados pelos estudantes foi a necessidade de uma abordagem mais contínua e abrangente do ensino de bioética. Eles sugeriram que a disciplina fosse ensinada ao longo dos seis anos de graduação, em vez de se concentrar apenas nos primeiros quatro anos. Essa sugestão visa garantir que os estudantes tenham uma formação mais completa e contínua em bioética, o que é essencial para lidar com os dilemas éticos que surgem na prática médica.
Além disso, o estudo procurou entender a incidência de episódios antiéticos testemunhados pelos estudantes. A pesquisa revelou que muitos estudantes já presenciaram situações antiéticas envolvendo colegas, professores e pacientes. Esses episódios variaram desde pequenas transgressões até sérias violações éticas, destacando a importância de um ensino de bioética robusto e contínuo para preparar os futuros médicos para enfrentar esses desafios.
Em resumo, o estudo destacou a necessidade de melhorar o ensino de bioética nas escolas de medicina no Brasil, tanto em termos de carga horária quanto na qualificação dos professores. A sugestão de distribuir o ensino ao longo de toda a graduação pode ser uma estratégia eficaz para garantir uma formação ética sólida para os futuros médicos. Além disso, trouxe um reflexo da estrutura além da própria disciplina, com relatos de erros éticos cometidos durante seu curso.







