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Investigação de Síndrome Infantil de Defunção Súbita a partir de achados necroscópicos: relato de caso

Os autores informam que não há conflito de interesse.

Wagner Lima De Alcântara

Pedro Henrique Marques Nogueira Lima

Laura Esteves de Carvalho

Lucas Henrique Oliveira Amaral

Flávia Gontijo Amaral

Mateus Feliciano Resende Moura

INTRODUÇÃO: A Síndrome Infantil de Defunção Súbita (SIDS) é definida por morte inesperada em crianças menores de um ano e que permanece inexplicada após investigação extensa do caso, incluindo revisão da história clínica, necropsia completa e exame do local de óbito.¹ Este trabalho busca discutir as dificuldades inerentes a esse diagnóstico a partir de relato de caso.

MATERIAIS E MÉTODOS: Realizou-se uma revisão não sistematizada da literatura disponível em bases de dados – Pubmed – em associação ao caso de um recém-nascido necropsiado em agosto de 2019 na Delegacia Regional de Polícia Civil de Divinópolis, município de Minas Gerais.

RELATO DE CASO: Recém-nascido de 13 dias de vida, sexo feminino, encontrado sem vida pela mãe na cama onde dormiam juntas. Segundo histórico de ocorrência, a mãe fez contato com vizinhos, que acionaram a equipe do SAMU. Apesar das tentativas de reanimação, foi constatado óbito e encaminhado o corpo ao IML. Ao exame necroscópico, apresentava sinais compatíveis com mais de 6 horas de morte: rigidez, pupilas fixas e hipóstases. Ao exame externo, feridas compatíveis com relato da mãe de cirurgia para tratamento de polidactilia e ferida compatível com punção venosa realizada pelo atendimento. Em segmento cefálico, constatada congestão vascular, sem sinais de fratura. Em região cervical, não se constatou fator obstrutivo de traqueia. Em região toracoabdominal, evidenciadas equimoses subpleurais (Manchas de Tardieu) nos pulmões e subepicárdicas no coração, além de sangue fluido e escuro ao corte. Em discussão do laudo, foram levantadas hipóteses de asfixia e da Síndrome da Morte Súbita do Lactente / Síndrome Infantil de Defunção Súbita.

DISCUSSÃO: Atualmente, a hipótese do risco triplo argumenta que a SIDS ocorre quando um lactente em período crítico do desenvolvimento que tem vulnerabilidade intrínseca sofre um evento deflagrador exógeno. Os fatores de risco pré-natais são exposição a drogas e tabagismo materno pré-natal. Dentre os fatores pós-natais, estão roupa de cama cobrindo o rosto, compartilhamento de cama e tabagismo materno pós-natal. Estudos também citam dormir com objetos/superfícies macios, prematuridade, baixo peso ao nascer, e sobreaquecimento. Dentre os fatores de risco maternos, destacam-se mãe jovem, multípara, intervalo curto entre gestações, ausência de acompanhamento pré-natal e baixo nível socioeconômico. Neste caso, a criança apresentava sinais de asfixia, como congestão vascular no encéfalo, equimoses poliviscerais e sangue fluido e escuro, sem contudo definição da causa direta de morte. Não foi identificada causa obstrutiva em vias aéreas que pudesse indicar sufocação direta, assim como a hipótese de sufocação indireta não pôde ser descartada. Os sinais evidenciados podem estar presentes na SIDS, tornando o diagnóstico final incerto.

CONCLUSÃO: Trata-se de caso desafiador para o profissional, que diante de achados inespecíficos ao exame do cadáver, muitas vezes não consegue estabelecer a causa mortis. A SIDS reflete a importância da avaliação necroscópica para excluir diagnósticos diferenciais.

AGRADECIMENTOS: Cumprimentamos a Polícia Civil de Minas Gerais e externamos nossos agradecimentos mediante a possibilidade de produzir conhecimento técnico-científico com a apresentação deste trabalho. Deixamos, também, nossas homenagens à Superintendência de Polícia Técnico Científica da PCMG pela cooperação prestada na elaboração deste projeto.


Referências bibliográficas