Resumos

O PAPEL DO MÉDICO NA ABORDAGEM DO DANO PSICOLÓGICO NO CONTEXTO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Os autores informam que não há conflito de interesse.

Eduardo De Araujo Correa

Júlia Rufino do Nascimento

Lígia Soares Tissi

Roberta Coura Calazans de Cerqueira

Yasmin Moriyama Nasu Coutinho

INTRODUÇÃO: O médico promove cuidados em saúde e exerce um papel social. Diante do aumento de casos de violência doméstica, muitos deles constatados nos serviços de saúde, é crucial que o médico aborde os danos psicológicos das vítimas e conheça as implicações jurídicas de sua conduta.

OBJETIVO: O presente trabalho objetiva analisar o artigo 147-B do Código Penal, que dispõem sobre o delito de violência psicológica contra a mulher, bem como a função dos documentos médicos, os desafios e deveres médicos frente ao ordenamento jurídico acerca da conduta exigida pela legislação no atendimento da vítima de violência doméstica.

METODOLOGIA: Foi realizada uma revisão bibliográfica integrativa, conduzida em bases de dados eletrônicos e sites oficiais, com critérios específicos de inclusão e exclusão. Esta revisão abrange diversos aspectos do papel médico na abordagem de vítimas de violência psicológica.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: Tendo em vista que a violência doméstica é uma realidade alarmante, a perícia médica é uma ferramenta crucial na identificação e documentação dos danos psicológicos. No contexto de violência doméstica, apesar de se tratar de um crime material, a perícia é dispensável para configuração do crime de dano emocional, uma vez que não implica em manifestação patológica e trata-se de um dano possível de comprovar por meio de prova testemunhal, depoimento da vítima e relatórios e prontuários médicos. O artigo 147-B do Código Penal, inserido pela Lei 14.188/2021, tipifica a violência psicológica contra a mulher enquanto crime. Todavia, devido à falta de habilidades interpessoais, à insuficiência de conhecimento sobre as políticas existentes e da rede intersetorial de proteção a vítima de violência doméstica por parte dos profissionais de saúde, assim como uma formação médica com pouca abordagem sobre a importância do papel e documentos médicos frente ao ordenamento jurídico acerca da conduta exigida pela legislação no atendimento de mulher vítima de violência doméstica, os médicos enfrentam dificuldades para identificar, abordar e encaminhar os casos de forma adequada.

CONCLUSÃO: É de suma importância, portanto, desenvolver uma formação continuada dos profissionais de saúde em relação ao papel e documentos médicos no contexto de violência doméstica, a importância médico-legal do preenchimento adequado do prontuário médico e da anamnese realizada de forma atenta ao relato da vítima. Ressalta-se a necessidade da criação de protocolos para facilitar o conhecimento médico sobre as políticas e a rede intersetorial de proteção à vítima de violência doméstica e otimizar o atendimento ofertado pelos serviços de saúde a fim atender as necessidades das pacientes de forma humanizada e garantir os princípios de universalidade, equidade e integralidade.


Referências bibliográficas