Os autores informam que não há conflito de interesse.
Carlos Daniel Lima Cardoso
Erlando Mendes Galvão Junior
Marcus Vinícius Correia Batista
Guilherme Lopes da Fonseca
Marcelo Jorge de Castro Lima
INTRODUÇÃO: O trânsito é a principal causa externa de mortes no Brasil, configurando um sério problema de saúde pública. No Tocantins, o rápido crescimento da frota de veículos e a infraestrutura viária deficiente agravam a situação. Entre 2014 e 2022, a frota veicular no estado cresceu, bem como o número de óbitos no trânsito. Este estudo visa analisar os óbitos por acidentes de trânsito no Tocantins, utilizando dados fornecidos pelo DATASUS, focando em padrões e tendências de óbitos por faixa etária, local de ocorrência e tipos de acidentes.
MATERIAL E MÉTODO: Trata-se de um estudo descritivo, utilizando dados secundários do Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Registro Nacional de Veículos Automotores (RENAVAM) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foram analisados óbitos no Tocantins de 2019 a 2022, classificados pelos códigos V01 a V99 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Os dados foram segmentados por ano, faixa etária e local de ocorrência. As principais variáveis incluíram distribuição de óbitos por tipo de transporte, faixa etária, e comparação com a Região Norte e o Brasil. O estudo enfrentou limitações, como possíveis sub-registros e mudanças não consideradas na legislação de trânsito.
RESULTADOS: De 2019 a 2022, a Região Norte registrou 12.722 óbitos por acidentes de trânsito, sendo 2.060 (16%) no Tocantins. No estado, os óbitos aumentaram de 472, em 2019, para 549 em 2021, estabilizando em 2022 (549). Motociclistas foram as principais vítimas, seguido por pedestres e ocupantes de automóveis. Sobre a faixa etária, adultos jovens de 20 a 39 anos foram os mais afetados, com o maior índice de óbitos. O Tocantins apresentou a maior taxa de óbitos por 100 mil habitantes (136,29) e a terceira maior por 10 mil veículos (24,80) entre os estados brasileiros, superando a média nacional.
DISCUSSÃO: Embora o Tocantins não tenha o maior número absoluto de óbitos na Região Norte, a tendência crescente até 2021 e a estabilização em 2022 indicam uma potencial eficácia de intervenções, como políticas públicas e campanhas de segurança. Os motociclistas destacam-se como o grupo mais vulnerável, com um aumento nos óbitos. A estabilização dos óbitos de ciclistas e flutuações em outras categorias sugerem a necessidade de investigações adicionais. A alta mortalidade entre jovens adultos e idosos evidencia a necessidade de intervenções direcionadas, como educação, fiscalização e melhorias na infraestrutura.
CONCLUSÃO: Ressalta-se a urgência de abordagens para a segurança viária no Tocantins, devido aos altos índices de óbitos no estado. A estabilização dos números em 2022 é um sinal positivo, mas a vulnerabilidade continua alta, especialmente entre motociclistas e jovens adultos. A cooperação entre governo, sociedade civil e setor privado é essencial para implementar políticas eficazes e reduzir a mortalidade no trânsito. Por fim, incentivam-se futuras iniciativas de segurança viária no Tocantins.







