Resumos

Saúde mental e pandemia: uma análise epidemiológica dos registros de auto agressão no município de São Paulo durante o período pandêmico

Os autores informam que não há conflito de interesse.

Thayse Pinheiro De Sales Croccia

Naiara Cristina Soares da Costa Matede

Giovani Taquetti Matede

Victor Alexandre Percinio Gianvecchio

INTRODUÇÃO: Em 11 de março de 2020, foi decretada a pandemia de covid-19 pela organização Mundial de Saúde, tendo esta se estendido até cinco de maio de 2023. Nesse período, 3 milhões de vidas foram perdidas e os impactos sociais e econômicos foram profundos. Economias foram arrastadas, causando aumento de desemprego, da pobreza e da desigualdade. As áreas de saúde, educação e serviços sociais também foram gravemente afetadas como reflexo dessas circunstâncias, os problemas de saúde mental aumentaram de forma acentuada, e o serviço de saúde mental tiveram dificuldades para atender a essa demanda maior, nova e urgente. Segundo a organização Panamericana de Saúde: “Os problemas de saúde mental aumentaram de forma acentuada, mas os serviços de saúde mental tiveram dificuldades para atender a essa demanda maior, nova e urgente. ” Em 2021, 18 meses após o início da pandemia, a OPAS pediu prioridade para prevenção de suicídio devido a estudos que já demonstravam que a pandemia tinha ampliado os fatores de risco associados ao suicídio.

OBJETIVO: Esse estudo visa a comparar as taxas de autogressão registradas na cidade de São Paulo desde 2020 – ano que iniciou a pandemia – até 2023 -ano em que foi oficialmente decretado seu fim – comparando-as de forma a avaliar indiretamente o impacto da pandemia na saúde mental da população. Além disso, se propõe a fazer uma análise do perfil epidemiológico das vítimas a patir de recortes de sexo e raça.

METODOLOGIA: Foram levantado os dados na plataforma TABNET referentes à cidade de São Paulo, utilizando como descritores “violência interpessoal/autoprovocada”+ “autogressão” associados a filtros de data (separados por ano no período compreendido entre 2020-2023), sexo (masculino x feminino) e raça (branca; preta; amarela; parda).

RESULTADOS: Ocorreu um aumento gradual e significativo dos registros de autogressão ano a ano durante o período pandêmico. Em 2020 foram registrados 8.936 casos, sendo 68,3% vitimas do sexo feminino e 31,6% vitimas do sexo masculino, com predominância de casos na raça branca (46,58%); 2021 registrou 10.048 casos, sendo 69,4% das vitimas do sexo feminino e 30,5% das vitimas do sexo masculino, com predominância de casos na raça branca (47,92%); em 2022 foram 12.780 casos, sendo 69,9% das vitimas do sexo feminino e 30,08% das vitimas do sexo masculino, com predominância de casos na raça branca (48,03%); 2023 bateu o recorde do período, com 14.251 casos, 68,61% das vitimas do sexo feminino e 31,34% das vitimas do sexo masculino, com predominância de casos na raça branca (46,50%). CONCLUSÃO: Após o inicio da pandemia de COVID-19 veio ocorrendo um aumento substancial dos casos de auto-agressão na cidade de São Paulo, de forma que tais registros podem ser um indicador indireto dos impactos que a pandemia provocou na saúde mental da população. Além disso, a distribuição desigual dentro dos recortes de sexo e raça sugerem que tais variaveis possuem significativa influência no perfil das vitimas.


Referências bibliográficas