Resumos

SUICÍDIOS NO RIO GRANDE DO SUL: AVALIAÇÃO DE CASOS DE 2018 A 2022

Os autores informam que não há conflito de interesse.

Ana Paula Poleto Paula Poleto

Leonardo Jardim de Lima

Luana Ebert Andrade

Sílvia Lemke Guterres

INTRODUÇÃO: Suicídio é uma questão de saúde pública de grande relevância, representando uma das principais causas de morte evitáveis em todo o mundo. No Brasil – especificamente no Rio Grande do Sul – as taxas de suicídio são preocupantes, exigindo uma abordagem multidisciplinar para compreensão e prevenção. A perícia médica desempenha um papel crucial na investigação dos casos de suicídio, fornecendo informações importantes para auxiliar a compreensão das circunstâncias desses eventos.

OBJETIVO: Descrever dados sobre suicídios no Rio Grande do Sul, incluindo prevalência e tendências.

MATERIAL E MÉTODO: Trata-se de um estudo transversal, quantitativo, observacional e descritivo, para avaliar dados de suicídios ocorridos no Rio Grande do Sul entre 2018 e 2022. Os dados foram obtidos do Sistema de Informações sobre Mortalidade, fornecido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Foram coletados números de suicídios totais por ano; suicídios entre homens e mulheres; suicídios por arma de fogo; e dados agregados de suicídios entre jovens de 15 a 29 anos. Os dados foram analisados para identificar tendências temporais e padrões demográficos, prevalências em cada grupo demográfico e suicídios por arma de fogo, calculados com o uso de estatística simples.

RESULTADOS E CONCLUSÕES: Em relação às tendências temporais nota-se um aumento contínuo no número total de suicídios entre 2018 e 2022, com pico em 2022. A maior prevalência de suicídios ocorreu entre os homens, representando mais de 79% dos casos em todos os anos analisados, com uma ligeira tendência de aumento percentual ao longo dos anos. Houve uma notável diminuição no número de suicídios por arma de fogo entre homens em 2022. Este declínio abrupto pode refletir a efetividade de intervenções específicas, como mudanças nas políticas de controle de armas ou na disponibilidade de armas de fogo. Referente aos suicídios entre jovens, os dados revelam uma variação significativa nos suicídios entre jovens de 15 a 29 anos, com pico em 2020 (20,4% do total) seguido por uma queda acentuada em 2022 (1,7% do total). Este padrão pode refletir mudanças nas condições socioeconômicas, na saúde mental ou na efetividade de intervenções preventivas. A alta prevalência de suicídios em homens indica a necessidade de estratégias de prevenção direcionadas. Ademais, a redução de suicídios por arma de fogo em 2022 requer uma investigação aprofundada para entender os fatores subjacentes a essa mudança. Logo, a perícia médica é fundamental para a investigação de suicídios, uma vez que atua em casos de mortes violentas ou suspeitas, fornecendo dados essenciais para entender e abordar este problema de saúde pública.


Referências bibliográficas