Os autores informam não haver conflito de interesse.
Janyra Oliveira da Costa (1)
(1) Secretaria de Estado de Polícia Civil.
INTRODUÇÃO: Apresentamos um estudo de caso forense utilizando entomologia para estimar o intervalo pós morte mínimo (IPM mín.) de um cadáver embalsamado, já que, com o processo de decomposição, métodos cadavéricos convencionais perdem precisão, e insetos necrófagos servem como referência confiável.
MATERIAL E MÉTODO: Corpo encontrado no Monte Rinjani (Indonésia), embalsamado, transportado ao Rio de Janeiro. Coletas feitas antes das manipulações do cadáver; espécimes identificados quanto ao táxon e instar. Temperatura ambiente inferida (~?15?°C), dados biológicos da espécie coletada extraídos da literatura, e modelo de somação térmica utilizado para estimar IPM mín., comparando com laudo preliminar da Indonésia.
RESULTADOS: Larvas de instares L2, L3 e em transição (“faradas”) de C. megacephala foram encontradas, sendo as de terceiro instar as mais antigas (4 5 mm). Com base em literatura, a ~15 16?°C, estimou se ~85 h para alcançar L3, apontando IPM mínimo ~?22 de junho. O laudo preliminar estimava morte entre 23 24 de junho.
DISCUSSÃO: O método entomológico revelou-se mais acurado que estimativas visuais quando há embalsamamento ou manipulações, mas sofreu com incertezas por ausência de dados ambientais exatos, efeito do embalsamamento/congelamento, e diferenças populacionais de desenvolvimento. A estimativa de ~22 de junho parece mais conservadora e mais bem embasada que a inicial.
CONCLUSÃO: o uso entomológico é uma ferramenta válida para estimar IPM mínimo, mesmo em casos difíceis. A estimativa deste estudo oferece alternativa pericial razoável, embora deva se reconhecer margem de erro. Recomenda se, em casos futuros, documentação de temperatura, procedimentos pós morte, condições de preservação dos espécimes e uso de dados biológicos regionais.







