Os autores informam não haver conflito de interesse.
Barbara Mayumi Ferri (1)
Ivan Dieb Miziara (1)
(1) Instituto Oscar Freire, Medicina Legal e Perícia Médica-USP
INTRODUÇÃO: O feminicídio constitui uma das formas mais graves da violência de gênero, afetando de forma desproporcional mulheres no Brasil, sobretudo na região da Amazônia Legal. O conhecimento de seus padrões é fundamental para subsidiar políticas públicas.
OBJETIVO: Analisar o feminicídio na Amazônia Legal entre 2018 e 2022, utilizando dados de mortalidade e relatórios nacionais de violência, com foco em tendências e grupos vulneráveis.
MATERIAL E MÉTODOS: Estudo descritivo e retrospectivo baseado no Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) e no Atlas da Violência (2018–2023). Foram avaliadas variáveis como idade, local, meio de agressão e características das vítimas. O Atlas da Violência 2025 foi empregado como projeção analítica.
RESULTADOS: Os dados indicam taxas de feminicídio persistentemente elevadas na Amazônia Legal, acima da média nacional, com diferenças significativas entre os estados. Jovens, mulheres em áreas rurais ou periféricas e grupos socialmente marginalizados, incluindo mulheres trans quando identificadas, foram os mais atingidos.
DISCUSSÃO: A manutenção de altas taxas evidencia desigualdades estruturais de gênero, fragilidade dos serviços de proteção e desafios logísticos regionais. A integração dos dados do SIM e do Atlas permite análise contextualizada e comparações internacionais.
CONCLUSÃO: O feminicídio na Amazônia Legal permanece um grave problema de saúde pública e direitos humanos. O fortalecimento de políticas protetivas e a inclusão de populações vulneráveis são fundamentais para reduzir seu impacto.
Palavras-chave: Feminicídio, Violência contra a mulher, Amazônia, Saúde pública, Direitos humanos.







