Carta ao Editor
A Importância da Nomenclatura Oficial na Medicina Legal
Como citar: Girardi G. A Importância da Nomenclatura Oficial na Medicina Legal. Persp Med Legal Pericia Med. Vol. 11, 2026;
Recebido em 12/04/2026
Aceito em 06/05/2026
O autor informa não haver conflito de interesse.
The Importance of Official Nomenclature in Forensic Medicine
Resumo
Esta carta destaca a importância da grafia correta do termo “médico-legista”, frequentemente utilizado de forma inadequada por profissionais e pela mídia. Com base em fontes normativas, como o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras, reforça-se que a forma correta inclui o uso do hífen, não sendo reconhecidas variantes sem essa estrutura. Há ainda a possibilidade de uso do termo como substantivo ou adjetivo, bem como suas variações de gênero e número. A ausência de padronização é fator que compromete a valorização e o reconhecimento da especialidade. Por fim, ressalta-se a responsabilidade dos próprios especialistas em empregar e difundir a grafia correta, contribuindo para a uniformização terminológica e o fortalecimento da Medicina Legal e Perícia Médica no país.
Palavras Chave: médico-legista
Abstract
This letter highlights the importance of the correct spelling of the term “médico-legista,” which is often used improperly by professionals and the media. Based on normative sources, such as the Orthographic Vocabulary of the Portuguese Language (OVPL) of the Brazilian Academy of Letters, it is emphasized that the correct form includes the use of a hyphen, and variants without this structure are not recognized. The term may also function as either a noun or an adjective, with corresponding variations in gender and number. The lack of standardization is a factor that undermines the appreciation and recognition of the specialty. Finally, the responsibility of specialists to use and promote the correct spelling is underscored, contributing to terminological uniformity and to the strengthening of Legal Medicine and Medical Expertise in the country.
Keywords (MeSH): forensic pathologist
Não é de hoje que se observa muitos escritores, desde os menos aos mais experientes, especialistas em Medicina Legal e Perícia Médica ou não, errarem a grafia correta dos termos relacionado à essa tão bela profissão.
Segundo o dicionário Priberam, a palavra médico-legista representa todos aqueles que são especialistas na área (1). Já o dicionário Dicio, traduz como aquele médico que é encarregado de proceder a exames e laudos com valor legal. Da etimologia das palavras, a formação por adição se deu entre “médico” e “legista”, com a implementação do hífen como elemento unificador (2).
O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), elaborado pela Academia Brasileira de Letras (ABL) reconhece apenas uma forma de escrever nossa valorosa profissão: médico-legista (3). Sim, com hífen! Apesar de muitas e muitos especialistas em Medicina Legal e Pericia Médica se institularem “médicos legistas”, sem hífen. Recentemente, surgiu, até mesmo em debate, associações que representam a profissão e, em seu início, não grafavam os médicos-legistas com hífen. Isso é um pouco confuso.
O mesmo dicionário ainda prossegue e diz que “médico-legista” é um substantivo masculino, que permite sua pluralização de duas formas: quando atua como substantivo masculino, será grafado como “médicos-legistas”; porém, quando a palavra atua como adjetivo, será grafado como “médico-legistas” (3). E é desta última forma que surge a variação “documentos médico-legais”: deixando no singular “médico” e pluralizando “legais”.
Aqui, o mesmo raciocínio se aplica para “médica-legista”, no feminino, também sendo um substantivo e permitindo sua pluralização para “médicas-legistas”.
Em outro dicionário consagrado em nossa língua, o Houaiss aponta que a palavra “médico-legista” é correta, podendo se comportar como substantivo ou adjetivo, dependendo da frase, além de permitir dois gêneros (masculino e feminino) (4). Aqui não consta, também, a grafia “médico legista”, sem hífen, como aceita.
Quando olhamos diversos noticiários locais e nacionais, conseguimos ter uma ideia de como a nossa profissão, de médico-legista, não é grafada de forma correta, como prevê o VOLP e a ABL. Encontramos uma enxurrada de: “médico legista”, “médico legistas”, “médica legista”, “médicos legista”, “médicos legistas”, etc.
Fonte: internet
Podemos observar, pelo recorte extraído e grifado acima, que em uma simples busca textual do termo “médico-legista” no Google, podemos encontrar uma “salada de frutas”; poucas reportagens grafam a palavra corretamente. No caso acima, excepcionalmente, apenas a Polícia Civil do Distrito Federal o fez.
Assim, saber escrever corretamente a sua profissão é um passo primordial para que uma especialidade possa galgar novos patamares e formas de reconhecimentos. Sem uniformização, perde-se importância e corre-se risco de virar “chacota” entre os mais estudiosos da língua portuguesa brasileira.
Outra forma de usarmos esses termos no nosso dia a dia é no início de frases, quando se exige a presença de letra maiúscula inicial, ou, até mesmo, na simples grafia em seu carimbo profissional, após seu nome e seu número de registro. Dessa forma, como se escreve? Desde os primórdios da língua, frases que iniciam devem ser grafadas com a inicial maiúscula; e, considerando, que há o hífen e mais um termo aglutinado, é de bom tom, segundo a própria ABL, que façamos tanto o “M” de “médico” quanto o “L” de “legista” terem suas iniciais diferenciadas. Portanto, ficaria assim: “Médico-Legista” ou “Médica-Legista” – obviamente, respeitados seus plurais existentes.
Aos intrigados e mais curiosos, fica o convite a consultar pelo site da ABL (e do VOLP) e testar as palavras. Basta colocar o termo que se quer pesquisar na barra de pesquisa “Busca no Vocabulário” e apertar “Buscar”, em verde (3). Não irá encontrar a grafia “médico legista” assim, sem hífen… Pois não existe na norma culta da língua portuguesa!
A regra é simples:
Usar como nome da sua profissão: médico-legista (ou médica-legista).
Usar como nome da sua profissão, mas no plural: médicos-legistas (ou médicas-legistas).
Usar para se referir à documentação: médico-legal.
Usar para se referir à documentação, mas no plural: médico-legais.
Usar como nome da sua profissão no carimbo médico ou início de frase: Médico-Legista (ou Médica-Legista).
Exemplos práticos:
“Eu sou especialista em Medicina Legal e Perícia Médica e sou médico-legista pelo meu estado (…)”
“Elenco, a seguir, as documentações médico-legais de interesse à demanda do processo (…)”
Carimbo médico de “Fulano de Tal – CRM ABCDE – RQE 12345 – Médico-Legista”
Lembre-se: é papel do especialista em Medicina Legal e Perícia Médica saber grafar e reportar corretamente sua profissão, bem como defender eventuais falhas na grafia ao observar colegas ou reportagens veiculadas com o desvio à norma culta; e se por desinformação (da mídia ou de terceiros), ainda é nosso papel a padronização e o reconhecimento gráfico de forma correta.
Referências bibliográficas
(1) Priberam. Dicionário. Disponível em: https://dicionario.priberam.org/m%C3%A9dico-legista. Acesso em 12 de abril de 2026.
(2) Dicio. Dicionário. Disponível em: https://www.dicio.com.br/medico-legista/. Acesso em 12 de abril de 2026.
(3) Academia Brasileira de Letras (ABL). Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Disponível em: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario. Acesso em 12 de abril de 2026.
(4) Uol. Dicionário Houaiss Disponível em: https://houaiss.uol.com.br/houaisson/apps/uol_www/vopen/html/inicio.php/662/m%C3%A9dico-legista. Acesso em 12 de abril de 2026.







