Artigo Original

Estágio em Instituto Médico Legal na Identificação de Lesões por Meios da Ação: Contribuições para a Formação Médica

Como citar: Dias MF, Oliveira MCD. Estágio em Instituto Médico Legal na Identificação de Lesões por Meios da Ação: Contribuições para a Formação Médica . Persp Med Legal Pericia Med. Vol. 11, 2026; 260749.

https://dx.doi.org/10.47005/260749

Recebido em 07/05/2026
Aceito em 21/07/2026

O autor informa não haver conflito de interesse.

Internship in a Medical Examiner's Office in the Identification of Injuries by Means of Action: Contributions to Medical Education

Matheus Furtado Dias

Conceitualização, Curadoria de dados, Análise de dados, Pesquisa, Metodologia, Administração do projeto, Redação do manuscrito original

https://orcid.org/0009-0008-6415-2165 - http://lattes.cnpq.br/9928521056160703

Instituto Médico Legal do Pará, Belém, PA

Marden Cravo de Oliveira

Supervisão/ Orientação, Validação  , Visualização da apresentação de dados, Redação - revisão e edição

https://orcid.org/0000-0001-5885-500X - http://lattes.cnpq.br/6131301250447623

Instituto Médico Legal do Pará, Belém, PA

Resumo

INTRODUÇÃO: A medicina legal possui relevante contribuição para a formação médica, especialmente na compreensão dos mecanismos de trauma e identificação das lesões corporais, embora esses conteúdos frequentemente sejam pouco explorados na graduação. MATERIAL E MÉTODO: Trata-se de um relato de experiência elaborado a partir de estágio extracurricular realizado em Instituto Médico Legal no estado do Pará, iniciado em agosto de 2025. Foram acompanhadas atividades relacionadas a exames de corpo de delito, necropsias e discussões técnico-científicas em diferentes áreas da medicina legal. RESULTADOS: O estágio possibilitou acompanhamento da rotina médico-pericial, incluindo identificação de lesões por meios da ação, como lesões contusas, cortantes, perfurocortantes e corto-contusas. Observou-se predominância de lesões contusas nos exames de lesão corporal, além de contato com áreas como traumatologia, tanatologia, sexologia e asfixiologia forense, especialmente em casos de enforcamento. DISCUSSÃO: A vivência prática favoreceu integração entre teoria e prática, contribuindo para o desenvolvimento do raciocínio observacional, da interpretação médico-legal das lesões corporais e da compreensão da interface entre medicina e justiça. Além disso, evidenciou a importância da inserção prática da medicina legal durante a graduação médica. CONCLUSÃO: O estágio em Instituto Médico Legal contribuiu para o desenvolvimento técnico, crítico e observacional do estudante de medicina, reforçando a relevância da medicina legal na formação médica.

Palavras Chave: Medicina Legal; Educação Médica; Traumatologia; Estágio Médico

Abstract

INTRODUCTION: Forensic medicine plays an important role in medical education, especially in understanding trauma mechanisms and identifying bodily injuries, although these topics are often insufficiently addressed during undergraduate training. MATERIALS AND METHODS: This is an experience report based on an extracurricular internship at a Medical Examiner’s Office in the state of Pará, Brazil, beginning in August 2025. Activities involving forensic examinations, autopsies, and technical discussions in different areas of forensic medicine were observed. RESULTS: The internship allowed observation of the medico-legal routine, including identification of injuries by means of action, such as blunt, sharp, perforating, and sharp-blunt injuries. Blunt injuries were predominant in bodily injury examinations, in addition to exposure to forensic traumatology, thanatology, forensic sexology, and forensic asphyxiology, especially in hanging cases. DISCUSSION: The practical experience promoted integration between theory and practice, contributing to the development of observational reasoning, medico-legal interpretation of injuries, and understanding of the relationship between medicine and justice. It also highlighted the importance of practical forensic medicine experiences during medical training. CONCLUSION: The internship at a Medical Examiner’s Office contributed to the technical, critical, and observational development of medical students, reinforcing the relevance of forensic medicine in medical education.

Keywords (MeSH): Forensic Medicine; Education, Medical; Traumatology; Internship and Residency

1. INTRODUÇÃO

A formação médica contemporânea exige o desenvolvimento de competências que ultrapassem o cuidado clínico-assistencial tradicional, abrangendo também a compreensão dos aspectos éticos, legais e sociais envolvidos na prática profissional. Nesse contexto, a medicina legal destaca-se como importante área de interface entre as ciências da saúde e o sistema de justiça, contribuindo para a interpretação técnico-científica de situações relacionadas à violência, traumas e mortes por causas externas (1).

A atuação médico-legal possui relevância significativa tanto na esfera pericial quanto na prática clínica cotidiana, uma vez que o reconhecimento adequado de lesões corporais, mecanismos de trauma e meios da ação pode auxiliar na condução diagnóstica, no registro médico adequado e na produção de provas técnicas. Entre os conhecimentos fundamentais da área, destaca-se a identificação das lesões segundo os meios da ação vulnerante, incluindo lesões contusas, cortantes, perfurocortantes, corto-contusas e perfurocontusas, cuja análise permite compreender a dinâmica dos eventos traumáticos e suas possíveis repercussões legais (2).

Apesar da importância desses conteúdos para a prática médica, observa-se que o ensino da medicina legal nos cursos de graduação frequentemente ocorre de forma reduzida, predominantemente teórica e, muitas vezes, desvinculada da prática pericial (3). Tal limitação pode dificultar o desenvolvimento do raciocínio médico-legal e da capacidade crítica do estudante diante de situações envolvendo violência interpessoal, acidentes, exames de corpo de delito e óbitos por causas externas, temas frequentemente presentes na realidade dos serviços de saúde.

Nesse cenário, experiências extracurriculares em Institutos Médicos Legais (IMLs) configuram-se como relevantes ferramentas de complementação da formação acadêmica, possibilitando ao estudante contato direto com a rotina pericial e com a aplicação prática dos conhecimentos abordados em sala de aula. A vivência nesses ambientes favorece a integração entre teoria e prática, permitindo maior compreensão acerca da identificação e interpretação das lesões corporais, além do aprimoramento da observação técnica e da descrição adequada dos achados periciais.

Além dos aspectos técnicos, o estágio em medicina legal também proporciona reflexões importantes acerca da ética profissional, da humanização no manejo de vítimas e familiares e da relevância social do trabalho pericial na elucidação de eventos relacionados à violência. A inserção do estudante em cenários reais de prática contribui para o fortalecimento da formação crítica e humanística, ampliando sua percepção sobre o papel do médico na produção de conhecimento técnico-científico voltado ao interesse coletivo e à garantia de direitos (4).

Adicionalmente, o contato com a prática pericial possibilita maior familiaridade com terminologias e classificações frequentemente pouco exploradas durante a graduação, especialmente relacionadas à traumatologia forense. A compreensão dos diferentes tipos de lesões e seus mecanismos de produção torna-se relevante não apenas para o exercício da medicina legal, mas também para especialidades clínicas e cirúrgicas que lidam diretamente com vítimas de trauma e violência.

Dessa forma, considerando a importância da medicina legal na formação médica e a limitação frequentemente observada no ensino prático da área durante a graduação, torna-se relevante relatar experiências acadêmicas desenvolvidas em Institutos Médicos Legais, especialmente no que se refere à identificação de lesões por meios da ação e suas contribuições para o desenvolvimento técnico, científico e crítico do estudante de medicina.

2. MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de um estudo descritivo, do tipo relato de experiência, elaborado a partir da vivência acadêmica em estágio extracurricular realizado em um Instituto Médico Legal (IML) localizado no estado do Pará, Brasil, com início em agosto de 2025.

A experiência ocorreu durante o acompanhamento das atividades desenvolvidas no setor pericial, envolvendo observação da rotina médico-legal relacionada à análise de lesões corporais e mecanismos de trauma. As atividades incluíram acompanhamento técnico das avaliações periciais, observação da identificação de lesões por meios da ação — como lesões contusas, cortantes, perfurocortantes e corto-contusas — e discussão dos achados sob supervisão profissional.

A vivência possibilitou a integração entre conteúdos teóricos abordados na graduação médica e sua aplicação prática no contexto pericial, permitindo o aprimoramento da capacidade de observação, descrição e interpretação das lesões corporais. Posteriormente, foram analisados referenciais teóricos previamente estudados na área da medicina legal e traumatologia forense, com a finalidade de fundamentar cientificamente as experiências observadas durante o estágio e subsidiar a discussão acerca da importância do estágio em medicina legal para a formação médica.

As informações descritas neste estudo foram obtidas por meio da observação direta das atividades desenvolvidas durante o estágio e registradas de forma descritiva, priorizando os aspectos relacionados à contribuição da experiência para a formação médica. Não foram utilizados dados identificáveis de indivíduos, imagens, prontuários ou quaisquer informações sigilosas, preservando-se integralmente os princípios éticos e de confidencialidade.

Por se tratar de um relato de experiência baseado exclusivamente na vivência acadêmica dos autores, sem utilização de dados identificáveis, intervenção em seres humanos ou acesso a informações sigilosas, o presente estudo dispensou apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa, conforme previsto na Resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.

3. RESULTADOS

A experiência desenvolvida durante o estágio em Instituto Médico Legal proporcionou ampla vivência da rotina médico-pericial, permitindo acompanhamento direto das atividades desempenhadas pelos médicos-legistas e demais profissionais envolvidos no serviço. O estágio ocorreu de maneira supervisionada e educativa, possibilitando contato contínuo com diferentes demandas relacionadas à medicina legal e à traumatologia forense, contribuindo significativamente para a ampliação do conhecimento teórico-prático durante a formação médica.

O funcionamento do estágio envolvia acompanhamento das atividades periciais realizadas nos diferentes setores do Instituto Médico Legal, incluindo exames de corpo de delito em indivíduos vivos, avaliações de lesões corporais, acompanhamento de exames necroscópicos e discussões técnico-científicas acerca dos achados periciais observados na rotina do serviço. A vivência possibilitou ao acadêmico compreender não apenas os aspectos técnicos envolvidos na atuação do médico-legista, mas também a dinâmica organizacional e a importância do trabalho pericial dentro do sistema de justiça.

Durante os acompanhamentos, foi possível observar a realização de exames periciais em vítimas de agressões físicas, acidentes e outras situações envolvendo traumas corporais, permitindo maior familiaridade com os procedimentos relacionados ao exame de lesão corporal em vivos. Nesses casos, os médicos-legistas realizavam análise detalhada das características das lesões, considerando aspectos como localização anatômica, extensão, coloração, profundidade, forma e possível instrumento causador, além da elaboração dos respectivos laudos periciais.

No contexto das necropsias médico-legais, o estágio permitiu acompanhamento introdutório de exames cadavéricos relacionados a mortes violentas e suspeitas, proporcionando contato com conceitos fundamentais da tanatologia forense. A observação da rotina necroscópica possibilitou maior compreensão acerca da análise dos sinais post mortem, mecanismos de morte e interpretação inicial dos achados anatômicos relacionados às diferentes causas de óbito.

A experiência também proporcionou contato com diferentes áreas da medicina legal, entre elas a traumatologia forense, tanatologia forense, sexologia forense e asfixiologia forense. No âmbito da traumatologia forense, destacou-se o estudo prático das lesões corporais segundo os meios da ação vulnerante, permitindo correlacionar os mecanismos de trauma às características observadas durante os exames periciais.

Entre as lesões observadas durante os acompanhamentos periciais, verificou-se predominância de lesões contusas, frequentemente relacionadas a agressões físicas, acidentes automobilísticos, quedas e violência interpessoal. Equimoses, hematomas, escoriações e edema traumático constituíram os achados mais frequentemente identificados nos exames de corpo de delito. Além dessas, foram observadas lesões corto-contusas, caracterizadas pela associação entre ação contundente e cortante, geralmente produzidas por instrumentos com gume associados a força significativa.

Em menor frequência, também foram acompanhadas lesões cortantes, perfurocortantes e perfurocontusas, possibilitando ao acadêmico compreender as diferenças morfológicas entre os tipos de lesão e seus respectivos mecanismos de produção. A identificação prática dessas lesões favoreceu maior entendimento sobre a importância da descrição técnica adequada no contexto médico-legal, especialmente na correlação entre o instrumento vulnerante e os achados corporais observados.

Na área da asfixiologia forense, houve acompanhamento de discussões relacionadas a mecanismos de morte por asfixia, especialmente em casos de enforcamento e sua diferenciação para outras formas de asfixia, como o estrangulamento e a esganadura. Nessas situações, foi possível observar a análise de sinais externos e internos compatíveis com constrição cervical, além da discussão acerca dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos nos diferentes tipos de asfixias mecânicas. O contato com esses casos permitiu maior compreensão acerca da complexidade da interpretação médico-legal em mortes violentas.

Em relação à sexologia forense, a experiência possibilitou contato observacional com procedimentos periciais relacionados à investigação de violência sexual, evidenciando a importância da atuação técnica, ética e humanizada diante das vítimas. Também foi possível compreender a relevância da adequada documentação médico-legal nesses casos, bem como o papel do médico-legista na produção de elementos técnicos que auxiliam a investigação judicial.

Além dos conhecimentos técnicos relacionados às diferentes áreas da medicina legal, o estágio contribuiu para o desenvolvimento da capacidade de observação crítica, raciocínio descritivo e interpretação dos achados periciais. A integração entre teoria e prática favoreceu maior familiaridade com terminologias e classificações frequentemente pouco aprofundadas durante a graduação médica, especialmente relacionadas à traumatologia forense e aos mecanismos de produção das lesões corporais.

A experiência também permitiu compreender a importância da atuação interdisciplinar no contexto pericial, envolvendo profissionais de diferentes áreas e evidenciando o papel da medicina legal como importante instrumento de interface entre saúde, ciência e justiça. O contato direto com a rotina do Instituto Médico Legal possibilitou percepção ampliada acerca da relevância social do trabalho pericial e de sua contribuição para a elucidação de eventos relacionados à violência e às mortes por causas externas.

4. DISCUSSÃO

A experiência vivenciada durante o estágio em Instituto Médico Legal evidenciou a relevância da medicina legal como ferramenta complementar na formação médica, especialmente no desenvolvimento de competências relacionadas à observação clínica, interpretação de lesões e raciocínio técnico-científico aplicado ao contexto pericial. A inserção do estudante em cenários reais de prática possibilitou maior aproximação entre os conteúdos teóricos abordados na graduação e sua aplicação prática, favorecendo aprendizado mais amplo e contextualizado.

Apesar da importância da medicina legal para a atuação médica, observa-se que, em muitas instituições de ensino, os conteúdos relacionados à traumatologia forense, tanatologia e asfixiologia são abordados de forma limitada e predominantemente teórica (5). Nesse sentido, o estágio extracurricular em Instituto Médico Legal mostrou-se importante estratégia de complementação acadêmica, permitindo contato direto com situações frequentemente pouco exploradas durante a graduação, especialmente relacionadas à identificação das lesões por meios da ação e à interpretação médico-legal dos achados periciais.

O acompanhamento dos exames de corpo de delito em vivos possibilitou maior compreensão acerca da importância da descrição técnica das lesões corporais, etapa essencial tanto para a adequada elaboração do laudo pericial quanto para a produção de provas técnicas no sistema de justiça. A predominância de lesões contusas observadas durante o estágio reforça a elevada frequência desse tipo de trauma na prática pericial, especialmente em situações de violência interpessoal, acidentes e quedas (6). Equimoses, hematomas e escoriações foram achados recorrentes, evidenciando a relevância do conhecimento das características morfológicas das lesões para inferência dos mecanismos causais.

Além das lesões contusas, o contato com lesões corto-contusas, cortantes, perfurocortantes e perfurocontusas contribuiu para melhor compreensão das diferenças entre os instrumentos vulnerantes e suas repercussões anatômicas. A análise prática dessas lesões favoreceu o desenvolvimento do raciocínio observacional e da capacidade de correlacionar os achados físicos aos possíveis meios da ação, aspecto relevante não apenas para a medicina legal, mas também para áreas clínicas e cirúrgicas relacionadas ao atendimento de vítimas de trauma (7).

No âmbito da tanatologia forense, a vivência permitiu compreensão introdutória acerca da dinâmica dos exames necroscópicos e da importância da análise cadavérica na investigação das causas de morte. O contato com casos relacionados à asfixiologia forense, especialmente enforcamento, possibilitou maior entendimento acerca dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos nas mortes por asfixia mecânica, bem como dos sinais externos e internos observados nesses contextos (8). Essas experiências contribuíram para ampliar a compreensão sobre a complexidade da atuação pericial e sobre a necessidade de interpretação criteriosa dos achados médico-legais.

A experiência em sexologia forense também evidenciou a necessidade de atuação ética, humanizada e tecnicamente qualificada diante de situações envolvendo violência sexual. A observação da condução dos exames periciais permitiu compreender a importância do acolhimento das vítimas, da adequada documentação dos achados e da preservação dos vestígios, reforçando o papel do médico-legista na assistência técnica ao sistema judicial (9).

Outro aspecto relevante observado durante o estágio foi a contribuição da prática pericial para o fortalecimento da formação crítica do estudante de medicina. O contato com situações relacionadas à violência interpessoal, mortes violentas e vulnerabilidades sociais favoreceu reflexões acerca do impacto social desses agravos e da importância do profissional médico na produção de conhecimento técnico-científico voltado à garantia de direitos e à promoção da justiça (10).

Além disso, a vivência prática permitiu maior familiaridade com terminologias e classificações frequentemente pouco aprofundadas na graduação médica, contribuindo para o desenvolvimento de habilidades descritivas e observacionais importantes para diferentes áreas da medicina. O reconhecimento das lesões por meios da ação demonstrou-se relevante não apenas para o contexto pericial, mas também para a prática clínica cotidiana, especialmente em serviços de urgência, emergência e trauma.

Entretanto, algumas limitações devem ser consideradas. Por se tratar de um estágio extracurricular observacional, a experiência esteve condicionada à demanda pericial do serviço, o que limitou o contato uniforme com todos os tipos de lesões e situações médico-legais. Além disso, o tempo reduzido de vivência pode restringir maior aprofundamento em áreas específicas da medicina legal (11). Outra limitação refere-se ao fato de o estudo basear-se em percepções acadêmicas decorrentes da experiência prática, não permitindo generalizações acerca da formação médica em outros contextos institucionais.

Apesar dessas limitações, o estágio em Instituto Médico Legal demonstrou importante contribuição para a formação médica, especialmente no desenvolvimento do raciocínio observacional, da interpretação de lesões corporais e da compreensão da interface entre medicina, ciência e justiça. A experiência reforça a relevância da inserção prática do estudante em cenários médico-legais como estratégia complementar de ensino, contribuindo para formação técnica, ética e crítica mais abrangente.

5. CONCLUSÃO

O estágio em Instituto Médico Legal demonstrou relevante contribuição para a formação médica ao proporcionar vivência prática em diferentes áreas da medicina legal, especialmente na identificação de lesões por meios da ação e na compreensão da atuação pericial. A experiência possibilitou integração entre teoria e prática, favorecendo o desenvolvimento da capacidade observacional, do raciocínio descritivo e da interpretação técnico-científica das lesões corporais.

O acompanhamento de exames de corpo de delito, necropsias e discussões relacionadas à traumatologia, tanatologia, asfixiologia e sexologia forense permitiu maior familiaridade com conteúdos frequentemente pouco aprofundados durante a graduação médica. Além disso, a vivência contribuiu para ampliar a compreensão acerca da interface entre saúde, ética e justiça, evidenciando a relevância social da medicina legal no contexto da prática profissional.

A predominância de lesões contusas observadas durante os acompanhamentos periciais reforçou a importância do conhecimento das classificações das lesões e dos mecanismos de trauma para adequada interpretação médico-legal dos achados. O contato com diferentes tipos de lesões favoreceu a consolidação do aprendizado teórico e a compreensão prática dos meios da ação vulnerante.

Dessa forma, a experiência evidenciou que estágios em Institutos Médicos Legais constituem importantes ferramentas complementares no processo de formação médica, contribuindo para o fortalecimento técnico, crítico e humanístico do estudante. Além disso, reforça-se a necessidade de maior valorização e inserção prática dos conteúdos de medicina legal durante a graduação, considerando sua relevância para a atuação médica e para a compreensão dos agravos relacionados à violência e às causas externas.

Referências bibliográficas

1. Romeiro Ramires LO, Meneguette C, Praseres Nunes P. Medicina legal: um pilar essencial à interseção entre o sistema de saúde e o Judiciário – uma revisão de literatura. Ulakes J Med. 2023;3(3). doi:10.56084/ulakesjmed.v3i3.909.

2. Eze UO, Ojifinni KA. Trauma forensics in blunt and sharp force injuries. J West Afr Coll Surg. 2022;12(4):94-101. doi:10.4103/jwas.jwas_190_22.

3. Miziara CSMG, Dantas RAA, Souza JPN, Miziara ID. Ensino de medicina legal e perícia médica nas escolas médicas. Cad Pedag. 2025;22(9):e18241. doi:10.54033/cadpedv22n9-228.

4. Paula FF, Golino TC, Hojaij FC. O valor do estágio observacional clínico no início da graduação médica. Cad Pedag. 2025;22(6):e15880. doi:10.54033/cadpedv22n6-274.

5. Borba DNM, Soares FJP. Teaching of forensic medicine and medical expertise based on skills: a new curriculum proposal. New Trends Qual Res. 2020;2:210-223. doi:10.36367/ntqr.2.2020.210-223.

6. Zimmerman SF, Fraga AMA, Morcillo AM, Silveira NYJ, Antonio MARGM. Acidentes com crianças e adolescentes, segundo o Inquérito Sentinela. Rev Ciênc Méd. 2019;27(3):115-124. doi:10.24220/2318-0897v27n3a4315.

7. Sarquis LM, Brunet-Schultze AC, Gazola BB, Collaço IA, Aguiar AJD, Fontes H. Epidemiological analysis of cardiac trauma victims at a referral trauma hospital: a 5-year case series. Rev Col Bras Cir. 2022;49:e20223120. doi:10.1590/0100-6991e-20223120.

8. Tavares SLB, Freitas MMCS, Ferreira ACS, Silva LS, Moitinho PBCC, Esteves AJ. Asfixiologia forense: a investigação criminal alicerçada na medicina legal. Rev DCS. 2021;18(66).

9. Drezett J, Vertamatti MAF, Barbosa RM, Taribagil C, Nassif VC. Influência do exame médico-legal na responsabilização do autor da violência sexual contra adolescentes. Rev Bras Crescimento Desenvolv Hum. 2011;21(2):189-197.

10. Silva MMB. A importância da prova pericial no processo penal e a imparcialidade do perito na investigação criminal. RECIMA21. 2024;5(12):e5125985. doi:10.47820/recima21.v5i12.5985.

11. Silva J, Nonato A. Estágio eletivo em medicina legal: relato de experiência em um serviço de verificação de óbito. Rev Foco. 2024;17:e5500. doi:10.54751/revistafoco.v17n6-150.