Artigo Original

IMPACTOS DA PANDEMIA DE COVID-19 NA COBERTURA VACINAL CONTRA A POLIOMIELITE NO BRASIL E SUAS IMPLICAÇÕES BIOÉTICAS

Como citar: Martins RS, Miziara CSMG, Aguiar LSD, Miziara ID. Impactos da pandemia de COVID-19 na cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil e suas implicações bioéticas. Persp Med Legal Pericia Med. Vol. 10, 2025; 250518.

https://dx.doi.org/10.47005/250518

Recebido em 16/12/2024
Aceito em 04/05/2025

O autor informa não haver conflito de interesse.

IMPACT OF THE COVID-19 PANDEMIC ON POLIOVIRUS VACCINATION COVERAGE IN BRAZIL AND ITS BIOETHICAL IMPLICATIONS

Renan Sakamoto Martins

Conceitualização, Curadoria de dados, Análise de dados, Pesquisa, Metodologia, Redação do manuscrito original, Redação - revisão e edição

https://orcid.org/0009-0003-1066-6228 - http://lattes.cnpq.br/2488903665131448

Centro Universitário Faculdade de Medicina ABC, Santo André, SP

Carmen Silvia Molleis Galego Miziara

Conceitualização, Análise de dados, Metodologia, Supervisão/ Orientação, Visualização da apresentação de dados, Redação do manuscrito original, Redação - revisão e edição

https://orcid.org/0000-0002-4266-0117 - http://lattes.cnpq.br/6916238042273197

Centro Universitário Faculdade de Medicina ABC, Santo André, SP

Luan Salguero de Aguiar

Análise de dados, Metodologia

https://orcid.org/0000-1234-5678-9101 - http://lattes.cnpq.br/123456789123

Centro Universitário Faculdade de Medicina ABC, santo André, SP

Ivan Dieb Miziara

Redação do manuscrito original, Redação - revisão e edição

https://orcid.org/0000-0001-7180-8873 - http://lattes.cnpq.br/3120760745952876

Faculdade de Medicina da USP, São Paulo, SP

Resumo

No Brasil, o poliovírus selvagem foi erradicado em 1994, mas a vacinação permanece essencial, especialmente devido à circulação do vírus no Afeganistão e Paquistão. Este estudo analisa a redução da cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil entre 2013 e 2023, o impacto da pandemia de COVID-19 e as projeções futuras. MÉTODOS: Estudo ecológico retrospectivo com dados do DATASUS (2012-2022) e DEMAS (2023). Analisou-se a cobertura vacinal com o software SPSS® 17.0, aplicando regressão linear simples (significância para p < 0,005). RESULTADOS: A cobertura vacinal caiu de 96,55% (2012) para 85,83% (2023), com declínio em todas as regiões, exceto no Nordeste, onde a regressão não foi significativa. Nos anos críticos de 2020-2021, houve queda acentuada, mas 2023 apresentou leve recuperação, superando os níveis de 2019. DISCUSSÃO: A queda na cobertura vacinal no Brasil também afeta outras vacinas, como BCG (77,81%), tríplice viral (77,19%) e varicela (68,73%) em 2024. Esses dados requerem ação governamental urgente, pois a reintrodução do poliovírus implicaria altos custos humanos e financeiros. O declínio, intensificado pela pandemia, reflete dilemas bioéticos e demanda campanhas de conscientização imediatas para evitar riscos à saúde coletiva. CONCLUSÃO: A cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil está em declínio progressivo, exacerbado pela pandemia e influenciado por fatores econômicos, isolamento social e desinformação. Medidas urgentes são essenciais para reverter esse cenário e proteger a saúde pública.

Palavras Chave: Cobertura vacinal; Poliomielite; Infecções

Abstract

In Brazil, wild poliovirus was eradicated in 1994, but vaccination remains essential, particularly due to the virus's circulation in Afghanistan and Pakistan. This study analyzes the decline in polio vaccination coverage in Brazil between 2013 and 2023, the impact of the COVID-19 pandemic, and future projections. METHODS: A retrospective ecological study using data from DATASUS (2012–2022) and DEMAS (2023). Vaccination coverage was analyzed with SPSS® 17.0 software, applying simple linear regression (significance at p < 0.005). RESULTS: Vaccination coverage dropped from 96.55% (2012) to 85.83% (2023), with declines in all regions except the Northeast, where regression was not significant. During the critical years of 2020–2021, a sharp decline was observed, but 2023 showed a slight recovery, surpassing 2019 levels. DISCUSSION: The decline in vaccination coverage in Brazil also affects other vaccines, such as BCG (77.81%), MMR (77.19%), and varicella (68.73%) in 2024. These data demand urgent governmental action, as poliovirus reintroduction would entail high human and financial costs. The decline, intensified by the pandemic, reflects bioethical dilemmas and underscores the need for immediate awareness campaigns to prevent public health risks. CONCLUSION: Polio vaccination coverage in Brazil has shown a progressive decline, exacerbated by the pandemic and influenced by economic factors, social isolation, and misinformation. Urgent measures are essential to reverse this trend and safeguard public health.

Keywords (MeSH): Vaccination coverage; Poliomyelitis; Infectious diseases.

1. INTRODUÇÃO

A poliomielite (pólio) é uma doença viral aguda, causada por três sorotipos de poliovírus, altamente contagiosa, que afeta adultos e, principalmente crianças com até cinco anos de idade. O vírus é transmitido de pessoa para pessoa, disseminando-se principalmente pela via fecal-oral ou, menos frequentemente, por veículos comuns, como água ou alimentos contaminados. A transmissão também pode ocorrer por via oral-oral, através de gotículas expelidas ao falar, tossir ou espirrar. O poliovírus se multiplica nos locais de entrada no organismo, como a boca, garganta e intestinos, e posteriormente entra na corrente sanguínea, podendo atingir o sistema nervoso e causar paralisia (1-3).

A maioria das pessoas infectadas é assintomática ou apresenta sintomas leves, como febre, mal-estar, cefaleia, dor de garganta, náuseas, vômitos, diarreia, obstipação ou sinais meníngeos. Aproximadamente, 1% dos infectados desenvolve a forma paralítica da doença, que geralmente se manifesta de maneira assimétrica nos membros inferiores, com redução da força muscular e dos reflexos profundos, mantendo a sensibilidade no membro afetado. Entre 5% e 10% dos pacientes com paralisia evoluem para o óbito devido à falência da musculatura respiratória (1, 2, 4). Não há tratamento para a poliomielite; a prevenção é feita exclusivamente por meio da vacinação.

Em 1994, o Brasil recebeu o certificado de erradicação da circulação do poliovírus selvagem. Entretanto, a vigilância epidemiológica e a imunização continuam a ser recomendadas, uma vez que alguns países ainda são reservatórios de poliovírus selvagens que podem ser reintroduzidos (5). Embora campanhas nacionais de imunização ainda estejam em vigor, a cobertura vacinal de várias doenças tem apresentado queda, estando distante da meta de 95% estabelecida pelo Ministério da Saúde. Uma possível explicação para essa queda é que a erradicação de várias doenças as tornou desconhecidas, levando algumas pessoas a negligenciarem a vacinação e aumentando o risco de reintrodução de doenças previamente controladas ou erradicadas (6). A queda na cobertura vacinal está associada à falsa crença de que a pessoa não adoecerá e que, caso adoeça, os sintomas serão leves. Assim, o risco da doença é percebido como menor do que o risco de eventos adversos relacionados à vacinação.

Além disso, durante a pandemia pelo coronavírus iniciada em 2019 (COVID-19), a imunização contra outras doenças infecciosas sofreu queda considerável, com redução de cerca de 20% na vacinação infantil (7). Hotez (2020) aponta que o movimento antivacina, que já estava em ascensão nos Estados Unidos e no mundo, possivelmente ganhou força durante a pandemia, alimentado por novas teorias conspiratórias. Diversas conjecturas foram disseminadas, incluindo a de que as vacinas contra a COVID-19 serviriam para implantar um chip sob a pele para vigilância global (8).

Dessa forma, este estudo tem como objetivo analisar a queda no índice de cobertura vacinal (ICV) para poliomielite no Brasil, entre 2012 (ano em que a vacina inativada contra poliomielite (VIP) foi introduzida no calendário vacinal brasileiro) e 2023, com foco no impacto da pandemia de COVID-19 (SARS-CoV-2) e na projeção da cobertura vacinal nos próximos anos, fornecendo dados para melhor direcionamento de recursos no combate à doença.

2. MATERIAL E MÉTODO

Trata-se de estudo ecológico retrospectivo que analisou a cobertura vacinal contra a poliomielite de 2012 a 2023 no Brasil. Os dados até 2022 foram obtidos do Departamento de Informação e Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) através do site http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/dhdat.exe?bd_pni/cpnibr.def. A seleção de dados utilizou “região” na linha, “ano” na coluna e “poliomielite” nas medidas, abrangendo os anos de 2012 a 2022. As informações de 2023 foram fornecidas pelo Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Informações Estratégicas em Saúde (DEMAS) da Secretaria de Informação e Saúde Digital (SEIDIGI) por meio do site: <https://infoms.saude.gov.br/extensions/SEIDIGI_DEMAS_VACINACAO_CALENDARIO_NACIONAL_COBERTURA_RESIDENCIA/SEIDIGI_DEMAS_VACINACAO_CALENDARIO_NACIONAL_COBERTURA_RESIDENCIA.html>. Os filtros aplicados foram “Cobertura Vacinal por Município de Residência”, ano “2023” e “Pólio Injetável (VIP)”.

Os dados vacinais por residência são baseados nas informações do endereço registrado no Cartão Nacional de Saúde (CNS) do cidadão, incluindo estado, município e estabelecimento de saúde. Como os dados são atualizados diariamente, o índice de cobertura vacinal (ICV) pode variar após a coleta das informações.

A cobertura vacinal é um indicador que estima a proporção da população-alvo vacinada, sendo coletada e já calculada pelos sistemas de informação. O cálculo é realizado dividindo-se o total de últimas doses do esquema vacinal de interesse (numerador) pelo número total de pessoas elegíveis para vacinação (denominador), multiplicando o resultado por 100 (9).

Os dados foram obtidos entre junho e julho de 2024, organizados em tabelas no Microsoft Office Excel, e, em seguida, foram analisados no software estatístico SPSS® versão 17.0 (SPSS® Inc; Illinois, EUA). Utilizou-se a Regressão Linear Simples para estabelecer a equação de previsibilidade das amostras e o Teste-T Independente para comparar as médias das variações. Consideraram-se significativas as regressões com p-valor < 0,005 que atenderam aos critérios básicos para a realização de regressão linear.

3. RESULTADOS

Os dados referentes à cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil e suas respectivas regiões, no período de 2012 a 2023, foram analisados e organizados conforme descrito na Tabela 1. Em 2012, a cobertura vacinal nacional excedia 96%, com variações regionais, porém todas as regiões apresentaram cobertura superior a 94%. Em 2013, observou-se uma ampla adesão à vacinação. No entanto, a partir de 2016, verificou-se um declínio contínuo na cobertura vacinal, atingindo os níveis mais baixos em 2021 e com modesta recuperação em 2023.

Ano

Brasil

Norte

Nordeste

Sudeste

Sul

C. Oeste

2012

96,55

96,00

95,63

97,40

94,82

99,44

2013

100,71

96,47

100,44

100,18

101,47

109,00

2014

96,76

90,05

96,50

97,15

97,18

104,05

2015

98,29

88,16

100,44

100,52

95,57

97,88

2016

84,43

72,28

81,55

86,31

87,50

96,15

2017

84,74

75,67

81,92

87,56

89,82

84,44

2018

89,54

77,06

90,04

92,66

89,91

88,59

2019

84,19

79,59

82,73

84,54

89,04

85,40

2020

76,79

65,69

73,11

78,28

86,50

80,47

2021

71,04

62,29

68,53

71,53

79,98

74,22

2022

77,20

71,24

78,50

75,14

83,10

80,50

2023

85,53

78,83

87,6

84,53

90,2

84,41

Tab. 1: Cobertura vacinal da Poliomielite no Brasil e nas regiões brasileiras por ano.

Com base nas informações obtidas, foi realizada regressão linear simples com o objetivo de prever a cobertura vacinal nos anos subsequentes, tanto para o Brasil quanto para suas regiões. No caso do Brasil, a análise de regressão indicou que é possível prever a cobertura vacinal contra a poliomielite [F(1,10) = 20,692, p = 0,001; R² = 0,674], conforme mostrado na Equação 1. A visualização da regressão pode ser observada no Gráfico 1.

 

Gráfico 1 – Cobertura vacinal da poliomielite no Brasil – Previsão a partir da Regressão Linear.
Legenda: Pontos azuis – Valores reais; Pontos vermelhos – Valores previstos pela regressão Linear; Linha tracejada – Linha de tendência.

Para a região Norte, a regressão linear simples indicou que é possível prever a cobertura vacinal contra a poliomielite [F(1,10) = 16,443, p = 0,002; R² = 0,622], conforme descrito na Equação 2. A visualização da regressão pode ser observada no Gráfico 2.

Cobertura Vacinal na região Norte=5012,373-2,445×Ano

Equação 2 – Previsão da cobertura vacinal da poliomielite na região norte.

Gráfico 2 – Cobertura vacinal da poliomielite na região Norte – Previsão a partir da Regressão Linear.
Legenda: Pontos azuis – Valores reais; Pontos vermelhos – Valores previstos pela regressão Linear; Linha tracejada – Linha de tendência.

Para a região Nordeste, não foi possível prever a cobertura vacinal dos anos subsequentes por meio da regressão linear simples [F(1,10) = 11,318, p = 0,002; R² = 0,531], uma vez que o valor de significância da regressão (p-valor) foi superior a 0,005, indicando baixa capacidade preditiva.

Por outro lado, para a região Sudeste, a regressão linear simples mostrou que é possível prever a cobertura vacinal contra a poliomielite [F(1,10) = 25,132, p = 0,001; R² = 0,715], conforme apresentado na Equação 3. A visualização dessa regressão pode ser observada no Gráfico 3.

Cobertura Vacinal na região Sudeste=4727,387-2,3×Ano

Equação 3 – Previsão da cobertura vacinal da poliomielite na região sudeste.

Gráfico 3 – Cobertura vacinal da poliomielite na região Sudeste – Previsão a partir da Regressão Linear.
Legenda: Pontos azuis – Valores reais; Pontos vermelhos – Valores previstos pela regressão Linear; Linha tracejada – Linha de tendência.

Para a região Sul, a regressão linear simples mostrou que é possível prever a cobertura vacinal da poliomielite nessa região [F(1,10) = 16,152, p=0,002; R² = 0,618], a partir da Equação 4. A regressão pode ser visualizada no Gráfico 4.

Cobertura Vacinal na região Sul=2751,196-1,319×Ano

Gráfico 4 – Cobertura vacinal da poliomielite na região Sul – Previsão a partir da Regressão Linear.
Legenda: Pontos azuis – Valores reais; Pontos vermelhos – Valores previstos pela regressão Linear; Linha tracejada – Linha de tendência.

 

Para a região Centro-Oeste, a regressão linear simples mostrou que é possível prever a cobertura vacinal da poliomielite nessa região [F(1,10) = 33,680, p<0,001; R² = 0,771], a partir da Equação 5. A regressão pode ser visualizada no Gráfico 5.

Cobertura Vacinal na região Centro-Oeste=5351,328-2,608×Ano 

Equação 5 – Previsão da cobertura vacinal da poliomielite na região Centro-Oeste.

Gráfico 5 – Cobertura vacinal da poliomielite na região Centro-Oeste – Previsão a partir da Regressão Linear.
Legenda: Pontos azuis – Valores reais; Pontos vermelhos – Valores previstos pela regressão Linear; Linha tracejada – Linha de tendência.

Para avaliar se houve diferença na tendência da cobertura vacinal contra a poliomielite antes e após a pandemia de COVID-19, foi realizada regressão linear com os dados de 2012 a 2019, estabelecendo previsões para a cobertura vacinal nos anos de 2020 e 2021. Posteriormente, as médias das coberturas vacinais foram comparadas utilizando o Teste-T para amostras independentes, e os coeficientes angulares das regressões lineares foram descritos para analisar a tendência.

No Brasil, a regressão linear simples para o período de 2012 a 2019 indicou que seria possível prever a cobertura vacinal contra a poliomielite [F(1,6) = 249,978, p = 0,04; R² = 0,531], conforme descrito na Equação 6. Essa equação previa uma redução anual de aproximadamente 2,27% na cobertura vacinal. No entanto, os valores reais observados em 2020 e 2021 divergiram significativamente das previsões, com uma queda média de 6,58% ao ano nesses dois anos (t = 1,139; p = 0,031). Essa diferença está ilustrada no Gráfico 6.

Cobertura Vacinal=5008,256-2,44×Ano 

Equação 6 – Previsão da cobertura vacinal da poliomielite no Brasil, considerando dados de 2012 a 2019

Gráfico 6 – Comparação da cobertura vacinal da poliomielite no Brasil: Previsão pré-pandemia versus valores reais.
Legenda: Pontos azuis – Valores reais; Pontos vermelhos – Valores previstos pela regressão Linear; Linha tracejada – Linha de tendência.

 

Essa descrição deixa clara a análise de tendências pré e pós-pandemia, destacando a diferença significativa entre os valores previstos e os observados. Caso precise de mais detalhes sobre o Teste-T ou os coeficientes angulares, posso ajudar a expandir.

A análise mais avançada dos resultados pela regressão linear simples aplicada aos dados de 2012 a 2019 com o objetivo de prever a cobertura vacinal contra a poliomielite nos anos subsequentes (2020 e 2021) permitiu entender a tendência da cobertura vacinal antes da pandemia de COVID-19 e compará-la com os resultados reais obtidos durante os anos afetados pela pandemia.

3.1. RESULTADOS DA REGRESSÃO LINEAR (2012-2019)

A análise de regressão linear revelou que, de 2012 a 2019, houve uma tendência de queda na cobertura vacinal contra a poliomielite no Brasil. A equação da regressão mostrou uma taxa de declínio anual de aproximadamente 2,27%, conforme estimado pela Equação 6, com uma significância estatística razoável [F(1,6) = 249,978, p = 0,04; R² = 0,531]. Isso indica que a regressão conseguiu explicar cerca de 53,1% da variação na cobertura vacinal no período pré-pandemia.

No entanto, apesar da adequação do modelo para prever os dados históricos, a previsão para os anos de 2020 e 2021 subestimou significativamente a real magnitude do declínio.

3.2. COMPARAÇÃO DAS MÉDIAS DE COBERTURA VACINAL: PREVISÃO VERSUS VALORES REAIS (OBTIDOS NAS BASES DE DADOS ESTUDADAS)

Após a obtenção das previsões para 2020 e 2021 a partir da equação da regressão linear, os valores reais de cobertura vacinal nesses dois anos foram comparados às previsões usando o Teste-T para amostras independentes. O Teste-T avaliou se houve uma diferença estatisticamente significativa entre as médias previstas e os valores observados, revelando uma discrepância importante.

A previsão estimava uma queda anual contínua de 2,27% na cobertura vacinal, o que seria consistente com a tendência observada entre 2012 e 2019. Entretanto, os valores reais registraram uma queda média muito maior, de 6,58% ao ano durante 2020 e 2021, o que resultou em uma diferença significativa entre a previsão e a realidade (t = 1,139; p = 0,031). O valor de p = 0,031 indica que a probabilidade de essa diferença ocorrer ao acaso é baixa (menor que 5%), confirmando que a pandemia exacerbou o declínio na cobertura vacinal de maneira mais acentuada do que o previsto pelo modelo.

3.3. ANÁLISE DOS COEFICIENTES ANGULARES DAS REGRESSÕES

Os coeficientes angulares das regressões lineares representam a taxa de mudança anual da cobertura vacinal. Para o período de 2012 a 2019, o coeficiente angular estimado foi de -2,27%, refletindo uma tendência de queda moderada na cobertura vacinal, mas ainda dentro de níveis considerados aceitáveis.

Por outro lado, quando observados os valores reais de 2020 e 2021, o coeficiente angular implícito (calculado com base nos valores médios de queda real) foi de -6,58%. Esse coeficiente mais negativo reflete o impacto da pandemia de COVID-19, que pode ter contribuído para maiores desafios na manutenção da cobertura vacinal, seja pela desinformação, interrupções nos serviços de saúde ou outras barreiras logísticas e sociais.

4. DISCUSSÃO

4.1. BREVES RELATOS HISTÓRICOS SOBRE A EVOLUÇÃO DA POLIOMIELITE NO MUNDO E NO BRASIL

A primeira descrição clínica da poliomielite foi feita em 1789 pelo médico britânico Michael Underwood. Posteriormente, a doença foi formalmente reconhecida em 1840 pelo médico alemão Jakob Heine (10). Ao longo da segunda metade do século XIX, foram identificados casos da doença na Noruega, Suécia e França. Em 1890, a poliomielite foi relatada como uma epidemia pela primeira vez pelo pediatra sueco Karl Oskar Medin, após uma epidemia com 44 casos em Estocolmo, durante o verão de 1887. Medin foi responsável por reconhecer a fase sistêmica da doença, que na maioria das vezes não progredia para as manifestações neurológicas (5, 11).

No final do século XIX e início do século XX, várias epidemias de poliomielite foram registradas em diversas partes do mundo, sendo uma das mais notáveis a de 1916 no Nordeste dos Estados Unidos, que resultou em 6.000 mortes e mais de 27 mil casos de paralisia. Durante essas epidemias, foi possível concluir que a poliomielite era uma doença contagiosa que afetava principalmente crianças, adolescentes, jovens e lactentes, sobretudo em populações economicamente favorecidas e regiões com baixa densidade populacional. Além disso, foi possível identificar a doença em sua forma branda, sem acometimento do sistema nervoso central. Essas observações foram essenciais para o entendimento da natureza da poliomielite, especialmente o fato de que a doença podia ocorrer na ausência de sintomas paralíticos (5).

No final do século XIX, no Brasil, foram descritos casos esporádicos da doença, entretanto, no início do século XX a doença foi observada com mais frequência, especialmente na região Sudeste (5). O primeiro surto de poliomielite descrito ocorreu na cidade do Rio de Janeiro em 1911. Logo depois, outro surto foi registrado na cidade de Americana, no estado de São Paulo, em 1917, levando à elaboração da lei a qual tornou a poliomielite doença de notificação compulsória no estado de São Paulo. (12)

Somente nas décadas de 1930 e 1940, os surtos de maior magnitude foram registrados, em Porto Alegre (1935 e 1945), em São Paulo e Rio de Janeiro (1939), em Belém (1943) e em Recife (1946). Na década de 1950, houve a maior epidemia já registrada da doença na cidade do Rio de Janeiro em 1953, com 746 notificações, atingindo a taxa de 21,5 casos para cada 100 mil habitantes. (5)

A primeira vacina inativada de poliomielite (VIP) foi produzida por Jonas Salk, sendo adotada em 1955 nos Estados Unidos, diminuindo significativamente o número de casos a cada 100 mil habitantes. Uma das desvantagens da vacina Salk era a maior circulação de poliovírus (PV) selvagem e suas implicações em surtos. (6) No Brasil, a vacina Salk também começou a ser utilizada a partir de 1955 por alguns pediatras, porém a vacinação teve pouca abrangência. (12)

Na década de 1950, Albert Sabin desenvolveu a vacina oral contra a poliomielite (VOP), utilizando uma versão atenuada do poliovírus. Após diversos testes, a vacina foi aprovada em 1959 na União Soviética e, em 1961, nos Estados Unidos (12). Embora eficaz, a principal desvantagem da VOP era o risco de desenvolvimento da poliomielite paralítica associada à vacina (PPAV). Para mitigar esse risco, foi implementada uma estratégia de pré-imunização com a vacina inativada contra poliomielite (VIP) em crianças aos 2 e 4 meses de idade, seguida pela administração da VOP aos 18 meses, 4 e 6 anos. No entanto, essa abordagem não eliminou completamente o risco de PPAV (11).

No Brasil, a VOP de Sabin foi introduzida na rotina vacinal em 1961 pelo Ministério da Saúde, com a primeira experiência de vacinação em massa realizada nas cidades de Santo André (SP) e Petrópolis (RJ). Contudo, essas iniciativas iniciais não foram suficientes em termos de abrangência e continuidade para controlar a doença de forma eficaz. Somente em 1973, com a criação do Programa Nacional de Imunizações (PNI), o país estabeleceu uma estratégia robusta e integrada para o controle não apenas da poliomielite, mas também de outras doenças como sarampo, tuberculose, difteria, tétano e coqueluche, além de manter a erradicação da varíola. (5)

Até o ano de 1974, não havia uma vigilância ativa, com investigação e diagnóstico dos casos notificados. Somente a partir de 1975, com a implantação do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SNVE), houve uma sistematização da investigação dos casos e surtos, incluindo a confirmação laboratorial do diagnóstico e avaliação de sequelas, fornecendo um melhor conhecimento sobre as características do comportamento epidemiológico da poliomielite e sua posterior erradicação no país. (5,12)

O último isolamento do poliovírus selvagem no Brasil foi a partir de um caso de paralisia em 1989, na cidade de Souza-PB. As campanhas em massa com a VOP foram utilizadas como estratégias para a eliminação do vírus no país, uma vez que essa vacina propicia imunidade individual, além de aumentar a imunidade de grupos populacionais em geral, com a disseminação do poliovírus vacinal no meio ambiente, em um curto espaço de tempo. (12)

A partir de 2012, a VIP passou a fazer parte do esquema vacinal contra a poliomielite no Brasil com duas doses, sendo ampliada para três doses (aos 2, 4 e 6 meses de idade), em 2016, com o reforço da VOP aos 15 meses e 4 anos. Desde o início de 2024, foi estabelecida nova recomendação para que seja feito apenas um reforço da VIP aos 15 meses. Desse modo, a VOP, popularmente conhecida como “gotinha”, está gradativamente sendo substituída pela VIP. (6,13). O quadro 1 mostra a evolução temporal da forma de imunização da população brasileira.

2012

2013

2016

2024

Introdução da VIP em 2 doses. Reforço com VOP aos 15 meses. VIP passa a ser aplicada em 3 doses.

Reforço da VOP aos 4 anos.

Substituição gradativa da VOP pela VIP, com apenas um reforço aos 15 meses.

Quadro 1: Linha do tempo do esquema vacinal contra a poliomielite no Brasil

Legenda: VOP: vacina oral contra a poliomielite; VIP: vacina inativada de poliomielite.

4.2. DISCUTINDO OS RESULTADOS OBTIDOS NO ESTUDO

Em relação aos resultados obtidos nesse estudo, a cobertura vacinal no Brasil tendeu à queda desde 2012, época em que a cobertura foi de 96,55%, em 2021 foi registrada a pior cobertura com 71,04%. Em 2022, foi notada discreta recuperação atingindo 85,53% em 2023, nível esse superior ao de 2019. No entanto, analisando os cenários anteriores, as previsões para os próximos anos são preocupantes, com estimativa de cobertura de apenas 68,4% em 2026, caso nenhuma medida de contenção seja adotada.

A estimativa de queda da cobertura vacinal contra a poliomielite reflete-se em todas as regiões. Os dados obtidos nesse estudo mostram que a região Norte apresentou a situação mais crítica, com a pior previsão do ICV contra a poliomielite, de apenas 58,803%, em 2026, com queda em relação à 2023 de 20%, ficando bem longe da cobertura preconizada pelo Ministério da Saúde que é de 95% (14). A região Sul possui a melhor previsão da cobertura vacinal nos próximos anos, com uma estimativa de 78,9% em 2026, contudo, ainda abaixo da meta estabelecida pelo Ministério.

Analisando ainda o padrão de cobertura vacinal durante os anos mais críticos da COVID-19, 2020 e 2021, observou-se declínio ainda mais importante em comparação com a tendência dos anos anteriores, com a média de queda anual do ICV que era de 2,27%, passando para 6,58% ao ano.

A queda de cobertura vacinal não ocorre apenas no Brasil. Em 2022, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) considerou que o continente americano, incluindo o Brasil e mais sete países da América Latina, era área com risco elevado para o retorno da doença. (13).

 Diversos trabalhos alertam para o possível risco de reintrodução e circulação do poliovírus selvagem no mundo. Donalisio et.al. (2023) avaliaram a vacinação contra a poliomielite no Brasil, entre 2011 e 2021, e concluíram que houve uma perda da cobertura vacinal ao longo do período em todas as regiões, com acentuação ao longo da pandemia, com destaque negativo para as regiões Norte e Nordeste (15), dados estes coincidentes com os resultados desse estudo que ampliou o tempo de pesquisa. Maciel et.al. (2023) analisaram a distribuição temporal e espacial da cobertura vacinal contra a poliomielite entre 1997 e 2021 e chegaram à conclusão de que houve forte tendência de queda dos índices e a região Norte apresentou os menores índices de cobertura (16). Esses dados mostram a fragilidade das regiões Norte e Nordeste do país quando à baixa cobertura vacinal e ao maior risco de introdução da doença e ou do vírus circulante, devendo ser foco de maior atenção do serviço público sanitário.

Embora o Brasil tenha uma estratégia robusta de vacinação e um histórico de campanhas vacinais, a partir de 2012, foi observada uma queda geral nas imunizações, não se limitando apenas à vacina contra a poliomielite. Dados de junho de 2024 mostram que a cobertura vacinal da BCG foi de 77,81%, a segunda dose da vacina tríplice viral foi de 77,19% e a vacina contra a varicela foi de 68,73%.

4.3. POSSÍVEIS FATORES ASSOCIADOS À QUEDA DO ICV

O movimento antivacina trouxe um fenômeno denominado de hesitação vacinal o qual é anterior à pandemia da COVID-19. Muitas pessoas deixam de se vacinar ou de vacinar seus filhos por falta de informações corretas e ou por excesso de informações fraudulentas.

Janz e Becker, 1984, estabeleceram o Modelo de Crença em Saúde composto por cinco domínios. O primeiro componente é a suscetibilidade percebida, que se refere à crença da pessoa sobre a probabilidade de desenvolver uma determinada condição de saúde. Em seguida, vem a gravidade percebida, que corresponde à crença sobre a seriedade do problema de saúde e as consequências potenciais. O terceiro fator é os benefícios percebidos, que reflete a crença na eficácia de adotar medidas preventivas ou terapêuticas para reduzir o risco ou a gravidade do problema de saúde. Em quarto lugar estão as barreiras percebidas, que se referem aos obstáculos ou custos percebidos associados à adoção dessas medidas, sejam eles financeiros, emocionais ou logísticos. Por fim, os sinais de ação são estímulos ou gatilhos que motivam as pessoas a agirem, como o surgimento de sintomas, campanhas de conscientização na mídia ou recomendações feitas por profissionais de saúde (17).

Portanto, é possível identificar três grandes fatores que influenciam a hesitação vacinal: Fatores Demográficos e Socioeconômicos: esses incluem idade, gênero/sexo, localização geográfica, nível de educação, etnicidade, conhecimento em saúde, histórico de imigração ou migração, e renda. Esses fatores podem afetar a percepção e a aceitação das vacinas; Modelo de Crenças em Saúde: este componente se refere aos cinco pilares que envolvem crenças individuais sobre a saúde. Isso inclui a suscetibilidade percebida, a gravidade percebida, os benefícios percebidos, as barreiras percebidas e os sinais de ação. Essas crenças moldam a disposição das pessoas em buscar e aceitar a vacinação; e Modos de Ação: este fator está relacionado ao comportamento individual que pode ser influenciado por ações positivas, como campanhas governamentais e midiáticas e recomendações de profissionais de saúde, que promovem a vacinação. Em contrapartida, informações erradas ou enganosas divulgadas pela mídia podem ter um impacto negativo, alimentando a hesitação vacinal e diminuindo a adesão às campanhas de imunização.

Esses três fatores interagem de maneira complexa, influenciando a hesitação vacinal e a aceitação de vacinas na população. Compreender essas dinâmicas é essencial para desenvolver estratégias eficazes de comunicação e intervenções de saúde pública que visem aumentar a aceitação vacinal (18, 19).

4.4. REDUÇÃO DO ICV E A PANDEMIA DA COVID-19

Diversos fatores podem ser considerados para tentar explicar a queda da cobertura vacinal no país após a pandemia que matou cerca de 700 mil pessoas, mas alguns aspectos podem ser considerados como os mais relevantes:

Interrupções nos Serviços de Saúde: Durante a pandemia de COVID-19, a maioria dos esforços médicos foi redirecionada para atender a muitas pessoas afetadas pelo coronavírus. Isso resultou em uma alocação prioritária de leitos hospitalares e atendimentos ambulatoriais e de emergência para pacientes infectados. Como consequência, muitos serviços de saúde, incluindo as campanhas de vacinação de rotina, enfrentaram interrupções significativas. A necessidade de mobilizar recursos para o combate à pandemia levou à redução dos serviços de vacinação, o que impactou negativamente na imunização de crianças e adultos, comprometendo o controle de outras doenças infecciosas que já estavam sob controle total ou parcial.

Receio da população em buscar serviços de saúde: o isolamento social implementado para controlar a disseminação da COVID-19, associado ao medo generalizado de contrair o vírus em ambientes de saúde, resultou em uma significativa medo da população em buscar serviços de saúde. Essa hesitação levou muitas pessoas a evitarem não apenas tratamentos eletivos, mas também cuidados preventivos, como as vacinações. A percepção de risco em ambientes de saúde, onde aglomerações poderiam ocorrer e a possibilidade de exposição ao coronavírus era maior, fez com que muitos optassem por não comparecer às consultas médicas e às campanhas de vacinação.

Queda do poder econômico: Durante o período de isolamento social, muitas pessoas enfrentaram a perda de empregos e a redução de suas fontes de renda, o que teve um impacto direto na capacidade de acesso a serviços de saúde. Essa queda no poder econômico dificultou ainda mais a busca por serviços médicos voltados à prevenção de doenças infecciosas, incluindo a vacinação. A insegurança financeira levou muitos indivíduos e famílias a priorizarem suas despesas, frequentemente relegando cuidados de saúde e vacinação a um segundo plano. Além disso, a falta de recursos financeiros pode ter gerado uma maior dependência de sistemas de saúde pública, que, devido à pandemia, já estavam sobrecarregados e com serviços limitados.

Desinformação e hesitação vacinal: O isolamento social imposto pela pandemia de COVID-19 criou um novo cenário no cotidiano das pessoas, com um aumento significativo no uso da internet e das redes sociais. Essa mudança facilitou a disseminação de desinformações sobre vacinas, contribuindo para a propagação de notícias falsas (fake news) relacionadas a potenciais efeitos adversos graves das vacinas. O impacto dessa desinformação foi amplo e negativo, afetando a percepção da população sobre a segurança das vacinas.

Além disso, alguns profissionais de saúde, incluindo médicos, tornaram-se vetores de desinformação anticientífica, alertando os pacientes sobre os riscos de efeitos adversos da vacina contra a COVID-19. Essas ações alimentaram movimentos antivacina já existentes, resultando em uma crescente hesitação vacinal e até mesmo em recusa à vacinação. O desconhecimento da população sobre a importância da vacinação, que foi inclusive desaconselhada por médicos e por agentes políticos desinformados e radicais em defesa do movimento antivacina, evidenciando a falta de racionalidade e de boa-fé e um retrocesso histórico que vai contra a ciência. As falsas notícias disseminadas nas redes sociais e nas falas de algumas “personalidades” políticas e médicas não consideraram que os eventos adversos das vacinas são muito inferiores às manifestações da doença. A percepção de que as doenças infecciosas com cobertura vacinal na infância são de baixo risco leva muitos responsáveis a não imunizar as crianças, desconsiderando as altas taxas de morbimortalidade quando a doença se instala. (17, 20)

5. CONCLUSÕES

As análises do estudo revelaram que, além da tendência já existente de queda na cobertura vacinal contra a poliomielite antes da pandemia, o surgimento da COVID-19 acelerou significativamente o declínio. A diferença entre as previsões e os dados reais indica que o impacto da pandemia foi muito mais profundo do que o esperado, provavelmente devido a uma combinação de fatores:

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alerta para o risco de surtos da doença devido à queda da cobertura vacinal associada a vigilância.

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