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Influência dos neurônios-espelho na avaliação pericial médica

Como citar: Guirado GMDP. Influência dos neurônios-espelho na avaliação pericial médica. Persp Med Legal Pericia Med. Vol. 11, 2026; 260531.

https://dx.doi.org/10.47005/260531

Recebido em 16/04/2026
Aceito em 06/05/2026

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O autor informa não haver conflito de interesse.

INFLUENCE OF MIRROR NEURONS IN MEDICAL EXPERT ASSESSMENT

Gunther Monteiro de Paula Guirado

Conceitualização, Metodologia

https://orcid.org/0000-0002-0896-0781 - http://lattes.cnpq.br/9742731830208060

UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ - UNITAU, Taubaté, SP

Resumo

Os neurônios-espelho desempenham papel fundamental na empatia e na compreensão das ações humanas. Na perícia médica, esses mecanismos podem influenciar o julgamento técnico do perito, potencialmente introduzindo vieses cognitivos. Este estudo tem como objetivo analisar a influência dos neurônios-espelho na avaliação pericial médica. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura. Neste sentido observou-se que a ativação desses neurônios pode interferir na imparcialidade, favorecendo vieses como o de confirmação e o efeito halo. Conclui-se que o reconhecimento desses processos é essencial para a melhoria da qualidade do laudo pericial.

Palavras Chave: Neurônios-espelho; Perícia médica; Empatia; Viés cognitivo; Neurociência.

Abstract

Mirror neurons play a fundamental role in empathy and in understanding human actions. In medical expertise, these mechanisms can influence the expert's technical judgment, potentially introducing cognitive biases. This study aims to analyze the influence of mirror neurons in medical expert evaluation. This is a narrative literature review. It was observed that the activation of these neurons can interfere with impartiality, favoring biases such as confirmation bias and the halo effect. It is concluded that the recognition of these processes is essential for improving the quality of the expert report.

Keywords (MeSH): Mirror neurons; Medical expertise; Empathy; Cognitive bias; Neuroscience.

1. INTRODUÇÃO

Os neurônios-espelho foram inicialmente descritos em estudos com primatas, sendo ativados tanto na execução quanto na observação de ações (1). Posteriormente, verificou-se sua participação em processos complexos como empatia, aprendizado social e interpretação de intenções (2,3).

Na prática pericial médica, a imparcialidade é um princípio fundamental. Entretanto, a interação com o periciado pode ativar mecanismos neurocognitivos automáticos, potencialmente interferindo na análise técnica. A empatia, embora desejável na prática clínica assistencial, pode representar um fator de viés na perícia (4).

Diante disso, torna-se necessário compreender a influência dos neurônios-espelho no processo de tomada de decisão pericial.

2. OBJETIVO

Analisar a influência dos neurônios-espelho na avaliação pericial médica e suas implicações na imparcialidade e na qualidade do laudo.

3. METODOLOGIA

Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com abordagem qualitativa. Foram incluídas publicações relevantes nas áreas de neurociência, psicologia cognitiva e medicina legal.

A busca considerou estudos clássicos e contemporâneos sobre neurônios-espelho, empatia e vieses cognitivos, além de literatura específica sobre prática pericial médica. A análise foi realizada de forma interpretativa, integrando os achados ao contexto médico-legal.

4. RESULTADOS

A análise da literatura evidenciou os seguintes aspectos:

A ativação dos neurônios-espelho ocorre de forma automática diante da observação do sofrimento ou limitação funcional do periciado (1,3). Esse mecanismo favorece respostas empáticas involuntárias.

Observou-se também que a empatia pode influenciar o julgamento, contribuindo para o viés de confirmação, no qual o perito tende a valorizar elementos que reforcem a narrativa do examinado (4,5).

Além disso, sinais não verbais, como expressão facial e comportamento, podem influenciar a percepção do perito, independentemente de evidências objetivas.

Em situações limítrofes, essa influência pode impactar diretamente a conclusão pericial, alterando o grau de rigor técnico aplicado.

5. DISCUSSÃO

A perícia médica exige neutralidade e fundamentação técnica baseada em evidências. No entanto, o perito está sujeito a processos cognitivos automáticos, incluindo aqueles mediados pelos neurônios-espelho.

Embora esses neurônios desempenhem papel essencial na empatia, sua ativação pode comprometer a objetividade pericial. Esse fenômeno se insere no contexto mais amplo dos vieses cognitivos, como o viés de ancoragem, o viés de disponibilidade e o efeito halo (4,5).

Estratégias para mitigação incluem a padronização da avaliação, o uso de critérios objetivos, a revisão crítica do raciocínio clínico e o treinamento em reconhecimento de vieses cognitivos.

Do ponto de vista ético, a imparcialidade é indispensável na perícia médica, conforme preconizado pelo Código de Ética Médica (6). Assim, a consciência sobre a influência dos neurônios-espelho é fundamental para garantir maior rigor técnico.

6. CONCLUSÃO

Os neurônios-espelho influenciam a avaliação pericial médica ao mediar respostas empáticas que podem introduzir vieses cognitivos. Embora esses mecanismos sejam naturais, seu impacto na perícia pode comprometer a imparcialidade.

O reconhecimento e controle desses fatores são essenciais para o aprimoramento da prática pericial, contribuindo para maior precisão e confiabilidade dos laudos.

Referências bibliográficas

1. Rizzolatti G, Craighero L. The mirror-neuron system. Annu Rev Neurosci. 2004;27:169-92.
2. Gallese V. Mirror neurons and the social nature of language: the neural exploitation hypothesis. Soc Neurosci. 2008;3(3-4):317-33.
3. Decety J, Jackson PL. The functional architecture of human empathy. Behav Cogn Neurosci Rev. 2004;3(2):71-100.
4. Kahneman D. Thinking, fast and slow. New York: Farrar, Straus and Giroux; 2011.
5. Croskerry P. The importance of cognitive errors in diagnosis and strategies to minimize them. Acad Med. 2003;78(8):775-80.
6. Conselho Federal de Medicina. Código de Ética Médica. Brasília: CFM; 2019.
7. França GV. Medicina legal. 11ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2017.
8. Shanafelt TD, Dyrbye LN. Oncologist burnout: causes, consequences, and responses. J Clin Oncol. 2012;30(11):1235-41.