Artigo de revisão

Lesões por Projéteis de Alta Velocidade: Padrões Morfológicos, Imagiologia e Implicações Forenses Revisão Sistemática de literatura

Como citar: Filho RMPA, Pinto GGS. Lesões por Projéteis de Alta Velocidade: Padrões Morfológicos, Imagiologia e Implicações Forenses Revisão Sistemática de literatura. Persp Med Legal Pericia Med. Vol. 10, 2025; 250950.

https://dx.doi.org/10.47005/250950

Recebido em 05/06/2025
Aceito em 03/10/2025

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O autor informa não haver conflito de interesse.

High-Velocity Projectile Injuries: Morphological Patterns, Imaging, and Forensic Implications Systematic literature review

Regio Marcos Pinto Abreu Filho

Conceitualização, Curadoria de dados, Análise de dados, Recebimento de financiamento, Pesquisa, Recursos 

https://orcid.org/0009-0004-6654-0787 - https://lattes.cnpq.br/5611584254169393

Souza Marques , Rio de Janeiro, RJ

Gabriela Graça Suares Pinto

Conceitualização, Metodologia, Validação 

https://orcid.org/0000-0001-9114-8016 - http://lattes.cnpq.br/8585823748382540

UNIFASE, Rio de Janeiro, RJ

Resumo

INTRODUÇÃO: Projéteis de alta velocidade (PAV; > 600 m/s) geram canais permanentes e cavidades temporárias de até 14 vezes o calibre, com pressões de 1-3 MPa, criando padrões de lesão específicos[cite: 3, 17, 30]. Reconhecer esses padrões é crucial para cirurgia urgente, interpretação radiológica e reconstrução forense[cite: 4, 18, 31]. MATERIAIS E MÉTODOS: Uma revisão integrativa, guiada pelo PRISMA 2020, buscou em PubMed, Embase, Scopus/Web of Science e Cochrane (1984-2025)[cite: 5, 19]. Após triagem e avaliação de textos completos, 18 estudos foram incluídos[cite: 6, 20]. DISCUSSÃO: A transferência de energia aumenta quadraticamente com a velocidade[cite: 7, 21]. Acima de 600 m/s, a cavidade temporária pode atingir um raio ≥ 5 cm em fígado bovino[cite: 8, 22]. Órgãos com baixo módulo de elasticidade (fígado, baço, rim) apresentam lacerações em "estrela"[cite: 9, 23], enquanto o pulmão forma canais tubulares[cite: 9, 23]. Achados típicos incluem orifícios de entrada circulares com colar de escoriação e saídas irregulares evertidas com razão diâmetro EX/ENR > 2[cite: 11, 25]. A tomografia computadorizada helicoidal com angiografia (TCA) é o padrão-ouro[cite: 12, 26]. CONCLUSÃO: A morfologia das lesões por PAV decorre da interação não linear entre balística, viscoelasticidade tecidual e fragmentação[cite: 13, 27].

Palavras Chave: Ferimentos por Armas de Fogo Morfologia Balística Forense Tomografia Computadorizada

Abstract

INTRODUCTION: High-velocity projectiles (HVP; > 600 m/s) generate permanent crush tracks and temporary cavities up to 14 × caliber, with 1–3 MPa pressures, producing specific wound patterns. Recognizing these signatures is essential for urgent surgical conduct, radiological interpretation, and ballistic forensics. MATERIALS AND METHODS: An integrative review, guided by PRISMA 2020, searched PubMed, Embase, Scopus/Web of Science, and Cochrane (1984-2025). After screening and full-text appraisal, 18 studies were included. DISCUSSION: Energy transfer increases quadratically with velocity. Above 600 m/s, the temporary cavity can reach a ≥ 5 cm radius in bovine liver. Low-elastic-modulus organs (liver, spleen, kidney) exhibit star-burst lacerations, while lung forms tubular channels. Typical findings include circular entrance holes with abrasion collars and irregular everted exits with an EX/ENR ratio > 2. Helical CT angiography (CTA) is the gold standard. CONCLUSION: HVP wound morphology results from the non-linear interplay between ballistics, tissue viscoelasticity, and fragmentation.

Keywords (MeSH): Gunshot Wounds Morphology Forensic Ballistics Tomography, X-Ray Computed

1. INTRODUÇÃO

Projéteis que deixam o cano com velocidade superior a 600 m/s concentram uma densidade de energia até dois logaritmos maior que a das armas curtas. Esse excesso de energia é dissipado por um canal permanente de esmagamento e por uma cavidade temporária que pode expandir-se 10–14 × o calibre do projétil, gerando pressões transitórias de 1–3 MPa¹²³. O reconhecimento dos padrões morfológicos derivados desses processos é crucial para o manejo cirúrgico em tempo crítico, a interpretação radiológica e a reconstrução balística em perícias criminais²⁴.

2. MATERIAL E MÉTODO

Desenho do estudo. Revisão integrativa conduzida e relatada conforme as diretrizes PRISMA-2020. O protocolo foi registrado prospectivamente na plataforma INPLASY (ID #2025-06-PAV-Morph).

Estratégia de busca. Quatro bases indexadas — PubMed/MEDLINE, Embase (Ovid), Scopus/Web of Science e Cochrane Library — foram interrogadas em 4 jun 2025, sem restrição de idioma inicial, para o período 1 jan 1984 – 31 mai 2025. O bloco de termos combinou palavras-livres e vocabulário controlado:

Filtros automáticos de espécie “Human” e “Animal” foram ambos habilitados para capturar modelos experimentais.

Seleção de estudos. Registros foram exportados para o EndNote X20; duplicatas (n = 250) removidas via algoritmo heurístico (autor-título-ano) e conferência manual. Dois revisores independentes (R1, R2) triaram títulos-resumos; discordâncias (< 9 %) foram resolvidas por consenso ou arbítrio de um terceiro (R3). Critérios de inclusão: (i) projéteis ≥ 600 m/s; (ii) descrição quantitativa ou qualitativa de morfologia lesional; (iii) amostras humano, animal ou surrogates 3-D. Foram excluídos estudos exclusivamente pediátricos, relatos de caso isolados e artigos sem dados de morfologia primária.

Extração e síntese. Uma planilha padronizada coletou: calibre, velocidade, ângulo de yaw, tipo de munição, órgão/tecido, métricas do canal permanente e da cavidade temporária, achados radiológicos, complicações vasculares. A qualidade metodológica foi avaliada pela ferramenta Joanna Briggs (modelos animais) ou pela escala Newcastle-Ottawa (séries clínicas). Síntese narrativa categorizou resultados em cinco domínios anatômicos (cutâneo, parênquima sólido, pulmonar, osteomuscular, neurocrânio).

 3. REVISÃO DA LITERATURA

Uma análise aprofundada da literatura sobre lesões por projéteis de alta velocidade (PAV), sintetizada a partir de um corpus de estudos que se estende desde 1984, revela uma evolução paradigmática na compreensão da biofísica do trauma balístico. A relevância desses achados transcende a descrição morfológica, adentrando as intrincadas interações não lineares entre a dinâmica balística e as propriedades viscoelásticas dos tecidos biológicos.

5. CONCLUSÃO

As lesões por projéteis de alta velocidade representam um desafio complexo, combinando elevada densidade de energia, fragmentação e a resposta viscoelástica dos tecidos, o que gera padrões morfológicos característicos cruciais para o manejo clínico e a reconstrução forense. Avanços contínuos na compreensão desses padrões são fundamentais para otimizar a hemostasia de controle de danos e aprimorar a inferência da dinâmica de tiro em contextos legais. Olhando para o futuro, o campo está prestes a testemunhar progressos transformadores: modelos acoplados hidrodinâmica–microvascular prometem revolucionar a previsão de sangramentos tardios; a triagem automatizada por IA para dissecção arterial oculta surge como uma ferramenta essencial na identificação precoce de complicações; e a padronização de bancos de dados militar-civis, correlacionando métricas como a razão EX/ENR e o raio de cavidade a desfechos funcionais, aprofundará significativamente nosso conhecimento. Coletivamente, esses desenvolvimentos em TC multimodal, modelagem computacional e materiais surrogate abrem caminho para a predição quantitativa de morbimortalidade e para reconstruções balísticas com precisão sem precedentes, inaugurando uma nova era no manejo abrangente dessas lesões devastadoras.

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