Artigo de revisão
O IMPACTO DAS REDES SOCIAIS NA ESCOLHA DO MÉDICO E SUA RESPONSABILIDADE CIVIL
Como citar: Iglesias TE. O impacto das redes sociais na escolha do médico e sua responsabilidade civil. Persp Med Legal Pericia Med. Vol. 10, 2025; 250522.
https://dx.doi.org/10.47005/250522Aceito em 27/12/2025
O autor informa não haver conflito de interesse.
THE IMPACT OF SOCIAL NETWORKS ON THE CHOICE OF A DOCTOR AND YOUR CIVIL RESPONSIBILITY
Resumo
RESUMO O impacto das redes sociais na escolha do médico e sua responsabilidade civil representa uma mudança significativa na dinâmica de como os pacientes selecionam seus profissionais de saúde e como os médicos interagem com seus pacientes. As redes sociais oferecem uma plataforma onde os pacientes podem acessar informações, avaliações e testemunhos de outros pacientes para tomar decisões informadas sobre sua saúde. No entanto, essa interação também traz desafios legais e éticos para os médicos, que precisam equilibrar o marketing pessoal e profissional com a responsabilidade de fornecer informações precisas e éticas online. OBJETIVO: analisar como as redes sociais influenciam a escolha de médicos pelos pacientes e as implicações legais e éticas dessa influência para a responsabilidade civil dos profissionais de saúde. METODOLOGIA: este estudo foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica, do tipo exploratório, através da abordagem qualitativa. O estudo foi feito com um levantamento bibliográfico junto às bases de dados PubMed, BVS Saúde (BVS (Biblioteca Virtual em saúde), SCIELO (Scientific Electronic Library Online) e o LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde). RESULTADOS: a influência das redes sociais na prática médica tem gerado diversas situações que levam a questões de responsabilidade civil. Médicos que publicam informações imprecisas ou desatualizadas sobre tratamentos e condições de saúde podem induzir pacientes ao erro. CONCLUSÃO: diante disso, conclui-se que o uso das redes sociais na escolha do médico representa uma mudança significativa no cenário da saúde, oferecendo oportunidades para aprimorar a comunicação e o acesso à informação.
Palavras Chave: Palavras-chave: Redes sociais. Responsabilidade civil. Ética médica.
Abstract
The impact of social media on physician choice and liability represents a significant shift in the dynamics of how patients select their healthcare providers and how physicians interact with their patients. Social media provides a platform where patients 1 can access information, reviews and testimonials from other patients to make informed decisions about their health. However, this interaction also brings legal and ethical challenges for doctors, who must balance personal and professional marketing with the responsibility of providing accurate and ethical information online. Objective: to analyze how social networks influence patients' choice of doctors and the legal and ethical implications of this influence for the civil liability of health professionals. Methodology: this study was developed through bibliographical research, of an exploratory type, using a qualitative approach. The study was carried out with a bibliographical survey in the databases PubMed, VHL Health (VHL (Virtual Health Library), SCIELO (Scientific Electronic Library Online) and LILACS (Latin American and Caribbean Literature in Health Sciences). Results: the influence of social networks on medical practice has generated several situations that lead to civil liability issues. Doctors who publish inaccurate or outdated information about treatments and health conditions can mislead patients. The use of social networks in choosing a doctor represents a significant change in the healthcare scenario, offering opportunities to improve communication and access to information.
Keywords (MeSH): Keywords: Social networks. Civil responsability. Medical ethics.
1. INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, as redes sociais têm se tornado uma ferramenta poderosa e onipresente na vida cotidiana das pessoas. Com bilhões de usuários em plataformas como Facebook, Instagram e Twitter, essas redes não só conectam indivíduos ao redor do mundo, mas também influenciam significativamente suas decisões em diversas áreas, incluindo a saúde. Este artigo examina o impacto das redes sociais na escolha de médicos e a responsabilidade civil decorrente dessa influência.
A escolha de um profissional de saúde é uma decisão crítica que pode afetar profundamente o bem-estar de um paciente. Tradicionalmente, essa escolha era baseada em recomendações pessoais, referências de outros profissionais de saúde e reputação dentro da comunidade médica. No entanto, com a ascensão das redes sociais, pacientes agora têm acesso a uma abundância de informações e opiniões sobre médicos, o que pode moldar suas decisões de maneiras novas e complexas (Ribeiro, 2019).
As redes sociais proporcionam um ambiente dinâmico e interativo onde pacientes podem compartilhar suas experiências, procurar recomendações e avaliar as opções disponíveis para cuidados médicos. Os médicos e clínicas estão cada vez mais presentes nessas plataformas, utilizando-as para promover seus serviços, compartilhar conhecimentos e interagir diretamente com os pacientes. Isso criou uma nova dimensão na relação médico-paciente, onde a presença online de um profissional de saúde pode influenciar significativamente a percepção pública e a escolha dos pacientes (Silva, 2016).
Por um lado, a utilização das redes sociais pode democratizar o acesso à informação, permitindo que pacientes façam escolhas mais informadas e seguras. Eles podem ler avaliações, assistir vídeos educativos, e entrar em contato com médicos para esclarecer dúvidas, tudo sem sair de casa. Por outro lado, essa mesma facilidade de acesso pode levar à propagação de informações errôneas, que podem confundir ou enganar os pacientes. Além disso, a pressão por uma presença online pode levar médicos a focar mais em marketing do que em prática clínica, influenciando a qualidade do atendimento (Garcia, 2017).
A responsabilidade civil dos médicos, no contexto das redes sociais, refere-se à obrigação desses profissionais em garantir que as informações e interações online sejam precisas, éticas e dentro dos padrões regulatórios. A presença digital de um médico pode ser um terreno fértil para mal-entendidos e expectativas irreais, o que pode resultar em litígios e complicações legais. É essencial que médicos sejam cientes das implicações legais de suas atividades online e adotem práticas que protejam tanto eles quanto seus pacientes (Frota; Costa, 2019).
O objetivo geral do trabalho é analisar como as redes sociais influenciam a escolha de médicos pelos pacientes e as implicações legais e éticas dessa influência para a responsabilidade civil dos profissionais de saúde. E para guia o trabalho adotou-se os seguintes objetivos específicos: analisar os critérios e fatores que os pacientes consideram ao escolher médicos através das redes sociais, examinar os benefícios e riscos associados à utilização das redes sociais pelos médicos e avaliar os aspectos legais e éticos da responsabilidade civil dos médicos em relação ao conteúdo e atividades nas redes sociais.
2. METODOLOGIA
Este estudo foi desenvolvido através de pesquisa bibliográfica, do tipo exploratório, através da abordagem qualitativa, pois buscará informações através de revisão bibliográfica, sobre o tema, aplicando como meio de investigação a fundamentação bibliográfica, utilizando-se, dessa forma, fontes secundárias de informações.
Trata-se de estudo exploratório realizado por meio de um levantamento bibliográfico junto às bases de dados PubMed, BVS Saúde (BVS (Biblioteca Virtual em saúde), SCIELO (Scientific Electronic Library Online) e o LILACS (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde). A busca de referências foi desenvolvida através dos descritores: Programa Saúde da Família (PSF). Enfermeiro. Atenção Primária à Saúde.
A pesquisa bibliográfica será utilizada, pois, segundo Marconi e Lakatos (2017), todo trabalho científico deve fundamentar-se em pesquisas anteriores para evitar que se repitam estudos já realizados e para possibilitar a investigação de temas novos e o desenvolvimento de conclusões inovadoras.
3. RESULTADOS E DISCUSSÕES
3.1. EVOLUÇÃO DAS REDES SOCIAIS
As redes sociais têm passado por uma evolução rápida e significativa desde a sua criação. O conceito de rede social online começou a ganhar tração no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, com o surgimento de plataformas como SixDegrees.com (1997), que permitia aos usuários criar perfis e fazer conexões com amigos. No início dos anos 2000, outras plataformas como Friendster (2002), MySpace (2003) e LinkedIn (2003) começaram a ganhar popularidade, cada uma oferecendo funcionalidades únicas que atraíam diferentes públicos (Lzamora, 2010).
O verdadeiro marco na popularização das redes sociais veio com o lançamento do Facebook em 2004. Fundado por Mark Zuckerberg, o Facebook rapidamente se tornou a maior rede social do mundo, permitindo aos usuários compartilhar informações, fotos e interagir com uma rede ampla de amigos e familiares. Em paralelo, outras redes como Twitter (2006), Instagram (2010) e Snapchat (2011) introduziram novos formatos de interação e compartilhamento de conteúdo, como microblogging, fotos e vídeos temporários (Garcia, 2017).
A partir de 2010, o uso de redes sociais se expandiu exponencialmente com a crescente penetração de smartphones e acesso à internet de alta velocidade. As redes sociais não apenas conectaram bilhões de pessoas ao redor do mundo, mas também transformaram-se em importantes plataformas de marketing, comunicação e influência. O impacto dessas plataformas se estende a diversas áreas da vida cotidiana, incluindo a saúde (Silva, 2016).
3.2. REDES SOCIAIS E SAÚDE
Com a popularização das redes sociais, o acesso à informação na área da saúde passou por uma transformação significativa. Anteriormente, informações sobre saúde eram obtidas principalmente através de consultas médicas, artigos científicos ou materiais educativos distribuídos em clínicas e hospitais. Hoje, plataformas como Facebook, Instagram, Twitter e YouTube são amplamente utilizadas para compartilhar informações de saúde, desde dicas de bem-estar até notícias sobre novos tratamentos e avanços médicos (Machado, 2020).
Os pacientes agora têm a capacidade de buscar informações de forma instantânea, acessar comunidades de suporte online e ler depoimentos de outras pessoas que compartilham suas experiências com determinadas condições médicas ou tratamentos. Essa vasta quantidade de informações pode ajudar os pacientes a se sentirem mais informados e capacitados a tomar decisões sobre sua saúde. No entanto, a qualidade e a precisão dessas informações podem variar, levando a potenciais riscos de desinformação (Bonna, 2018).
Os profissionais de saúde também reconheceram a importância das redes sociais como uma ferramenta para educar o público e promover seus serviços. Muitos médicos e clínicas mantêm perfis ativos nas redes sociais, onde compartilham artigos, vídeos educativos e interagem com pacientes e seguidores. Esse engajamento pode ajudar a construir confiança e credibilidade, além de facilitar uma comunicação mais direta e acessível entre médicos e pacientes (Silva; Tessarolo, 2016).
No entanto, o uso das redes sociais na área da saúde também traz desafios. A disseminação de informações errôneas ou incompletas pode levar a diagnósticos incorretos ou ao uso inadequado de tratamentos. Além disso, a exposição pública de experiências pessoais de saúde pode gerar preocupações com privacidade e ética (Machado, 2020).
A interação direta entre médicos e pacientes nas redes sociais também levanta questões sobre a responsabilidade civil dos profissionais de saúde. Médicos que fornecem conselhos ou informações médicas online devem garantir que suas comunicações sejam precisas e estejam de acordo com as regulamentações profissionais. A falha em fazê-lo pode resultar em implicações legais e éticas, incluindo processos de responsabilidade civil (Rosenvald; Netto, 2018).
4. ESCOLHA DO MÉDICO INFLUENCIADA PELAS REDES SOCIAIS
4.1. CRITÉRIOS DE ESCOLHA
Os pacientes de hoje frequentemente recorrem às redes sociais como uma das principais fontes de informação na escolha de seus médicos. Esse comportamento representa uma mudança significativa em comparação com métodos tradicionais, como recomendações boca a boca ou referências de outros profissionais de saúde. Vários critérios influenciam essa escolha (Silva; Tessarolo, 2016).
Pacientes tendem a confiar mais em médicos que têm uma presença ativa nas redes sociais, onde compartilham regularmente informações úteis sobre saúde. A atividade constante nas redes demonstra comprometimento com a educação do paciente e transparência. Além disso, a qualidade do conteúdo postado pelos médicos é crucial. Postagens que incluem vídeos educativos, artigos científicos e dicas de saúde são bem vistas, pois o profissionalismo e a clareza do conteúdo reforçam a confiança dos pacientes (Machado, 2020).
A forma como os médicos interagem com seus seguidores também é um fator determinante. Respostas rápidas e personalizadas a perguntas dos pacientes mostram acessibilidade e dedicação. Fotos de consultórios, vídeos de procedimentos e depoimentos visuais ajudam os pacientes a visualizar a experiência que terão, criando uma sensação de familiaridade e confiança antes mesmo da primeira consulta. Médicos que compartilham suas especializações, certificações e prêmios recebidos nas redes sociais são frequentemente percebidos como mais competentes e confiáveis (Garcia, 2017).
4.2. PAPÉIS DAS AVALIAÇÕES E TESTEMUNHOS
As avaliações e depoimentos de outros pacientes desempenham um papel crucial na decisão de escolher um médico. Esses testemunhos são vistos como fontes de informação imparcial e podem influenciar significativamente a percepção do paciente sobre a qualidade dos cuidados oferecidos. Avaliações positivas de outros pacientes ajudam a construir confiança e credibilidade. Quando os pacientes leem sobre experiências positivas, sentem-se mais confortáveis em escolher aquele médico (Rosenvald; Netto, 2018).
Médicos que permitem e incentivam feedback público demonstram transparência. A disposição para aceitar críticas e responder a elas publicamente pode ser um indicador de ética profissional e compromisso com a melhoria contínua. Depoimentos detalhados sobre a experiência do paciente, incluindo atendimento, procedimentos e resultados, fornecem uma visão completa e concreta do que esperar. Isso pode ajudar a aliviar ansiedades e preparar melhor os pacientes para suas próprias consultas. Sites e plataformas que agregam avaliações e fornecem classificações ajudam a comparar diferentes médicos com base em métricas objetivas, como pontuação geral, tempo de espera e qualidade do atendimento (Machado. 2016).
4.3. MARKETING MÉDICO NAS REDES
Os médicos têm se adaptado às redes sociais não apenas para fins educacionais, mas também como uma ferramenta de marketing poderoso. O marketing médico nas redes sociais abrange várias estratégias que visam aumentar a visibilidade e atrair novos pacientes. Médicos utilizam as redes sociais para construir e promover sua marca pessoal e profissional. Isso inclui a criação de perfis consistentes, uso de logotipos e paletas de cores específicas, e a apresentação de uma imagem profissional e acolhedora (Frota; Costa, 2018).
Publicar conteúdo educativo relevante e de alta qualidade é uma estratégia central. Isso não apenas posiciona o médico como um especialista em sua área, mas também ajuda a atrair pacientes que buscam informações confiáveis sobre suas condições de saúde. Anunciar ofertas especiais, consultas iniciais gratuitas ou descontos em determinados procedimentos pode atrair novos pacientes. Essas promoções, quando bem administradas, podem converter seguidores online em pacientes reais (Silva; Tessarolo, 2016).
Realizar campanhas que incentivem o engajamento, como concursos, perguntas e respostas ao vivo, ou webinars sobre temas de saúde, aumenta a interação e a conexão emocional com os seguidores. Colaborar com influenciadores de saúde e bem-estar ou outros profissionais médicos pode expandir o alcance. Essas parcerias muitas vezes resultam em um fluxo maior de seguidores e potenciais pacientes. Utilizar ferramentas de publicidade paga, como anúncios segmentados no Facebook e Instagram, permite que os médicos alcancem um público-alvo específico baseado em localização geográfica, interesses e comportamentos de saúde (Machado, 2020).
5. RESPONSABILIDADE CIVIL DOS MÉDICOS
5.1 DEFINIÇÃO E CONTEXTO LEGAL
A responsabilidade civil refere-se à obrigação de reparar os danos causados a terceiros em decorrência de ações ou omissões, culposas ou dolosas, que resultem em prejuízo. No contexto médico, a responsabilidade civil se aplica quando um profissional de saúde, ao exercer sua profissão, causa dano a um paciente por negligência, imprudência ou imperícia. Esse conceito é regulado pelo Código Civil e pelo Código de Defesa do Consumidor, que estabelecem que o médico deve indenizar o paciente pelos danos materiais e morais sofridos (Rosenvald, 2019).
A aplicação da responsabilidade civil aos médicos se estende às suas atividades nas redes sociais. Com o crescente uso dessas plataformas para interagir com pacientes e divulgar informações sobre saúde, médicos estão expostos a novas formas de risco. A publicação de conselhos médicos, a divulgação de casos clínicos e a interação direta com pacientes podem acarretar responsabilidades adicionais. É essencial que os médicos atuem com cautela e observem rigorosamente as normas éticas e legais, evitando práticas que possam ser interpretadas como promessas de cura ou que possam induzir o paciente ao erro (Giostri. 2011).
A influência das redes sociais na prática médica tem gerado diversas situações que levam a questões de responsabilidade civil. Médicos que publicam informações imprecisas ou desatualizadas sobre tratamentos e condições de saúde podem induzir pacientes ao erro. Por exemplo, um médico que recomenda um tratamento experimental sem alertar sobre os riscos pode ser responsabilizado se um paciente sofrer danos ao seguir tal recomendação (Kfouri Neto, 2013).
Oferecer diagnósticos ou consultas completas via redes sociais sem uma avaliação clínica adequada pode resultar em erros médicos. Um caso notório envolveu um médico que diagnosticou uma condição grave através de mensagens diretas e recomendou um tratamento inadequado, resultando em piora da saúde do paciente (Maluf, 2012).
A publicação de fotos ou relatos de casos clínicos sem o devido consentimento do paciente viola a privacidade e pode causar danos emocionais, resultando em processos judiciais por quebra de sigilo e danos morais. Médicos que fazem promessas exageradas sobre os resultados de tratamentos estéticos ou cirúrgicos podem ser processados se os resultados não correspondem às expectativas criadas.
Um exemplo seria um cirurgião plástico que publica antes e depois de procedimentos com resultados espetaculares, criando falsas expectativas (Rosenvald, 2019).
5.2 DIRETRIZES E REGULAMENTAÇÕES
Dada a crescente interação entre médicos e pacientes nas redes sociais, várias diretrizes e regulamentações foram estabelecidas para orientar a conduta dos profissionais de saúde nesse ambiente digital. O Código de Ética Médica brasileiro estabelece que médicos devem manter sigilo sobre as informações dos pacientes e agir com prudência ao fornecer informações em público. Publicações em redes sociais devem ser realizadas com o mesmo rigor ético aplicado em outros contextos profissionais (Nedy, 2010).
O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu resoluções específicas sobre o uso das redes sociais pelos médicos, recomendando que informações médicas sejam divulgadas de forma responsável e que as interações com pacientes não substituam a consulta presencial. As orientações do CFM também proíbem a autopromoção exagerada e a publicação de fotos de pacientes sem consentimento.
Organizações como a American Medical Association (AMA) e a General Medical Council (GMC) também publicaram diretrizes que enfatizam a importância da confidencialidade, do consentimento informado e da veracidade das informações divulgadas. Essas diretrizes são úteis para médicos que desejam alinhar suas práticas às melhores normas internacionais.
Médicos são aconselhados a adotar boas práticas, como a criação de perfis profissionais separados dos perfis pessoais, a revisão regular do conteúdo postado para garantir sua precisão, e o uso de disclaimers que esclareçam que as informações fornecidas não substituem uma consulta médica (Ribeiro, 2019)
A responsabilidade civil dos médicos é uma questão complexa que se intensifica com o uso crescente das redes sociais. A facilidade de acesso e a ampla audiência dessas plataformas oferecem inúmeras oportunidades para a educação e o marketing médico, mas também apresentam riscos significativos. Médicos devem ser extremamente cuidadosos ao compartilhar informações e interagir com pacientes online, sempre aderindo aos mais altos padrões éticos e legais (Maluf, 2012).
Seguir as diretrizes estabelecidas pelos conselhos profissionais e adotar práticas seguras nas redes sociais é crucial para minimizar os riscos de responsabilidade civil. Assim, os médicos podem aproveitar as vantagens das redes sociais para promover a saúde e fortalecer a relação com os pacientes, ao mesmo tempo em que protegem sua reputação e evitam complicações legais (Silva; Tessarolo, 2016).
A profunda influência das redes sociais na dinâmica de escolha dos médicos pelos pacientes. A facilidade de acesso a informações sobre profissionais de saúde e as experiências de outros pacientes transformou significativamente o processo de tomada de decisão. As avaliações e depoimentos, por exemplo, proporcionam uma forma de validação social que pode ser mais influente do que as recomendações tradicionais. Esse fenômeno é explicado pela teoria da prova social, que sugere que as pessoas tendem a seguir as ações de outros em situações de incerteza (Kfouri Neto, 2013).
Por outro lado, o uso de redes sociais pelos médicos para marketing e educação em saúde apresenta tanto oportunidades quanto desafios. Enquanto a presença online pode aumentar a visibilidade e a credibilidade dos médicos, também exige um cuidado extremo para evitar problemas legais e éticos. A tendência crescente de consultas e diagnósticos online, por exemplo, precisa ser abordada com precaução, pois pode levar a diagnósticos errôneos e, consequentemente, a processos judiciais. É fundamental que os médicos mantenham a clareza de que interações nas redes sociais não substituem consultas presenciais completas (Bondin, 2019).
A análise dos casos de responsabilidade civil destaca a importância de regulamentações claras e diretrizes específicas para o uso de redes sociais por profissionais de saúde. Embora existam diretrizes emitidas por órgãos como o Conselho Federal de Medicina (CFM), a aplicação e a conscientização sobre essas normas precisam ser intensificadas. Além disso, é crucial que os médicos recebam formação contínua sobre as melhores práticas para o uso das redes sociais, incluindo a necessidade de consentimento informado e a manutenção da confidencialidade dos pacientes.
Logo, as redes sociais oferecem uma plataforma poderosa para a promoção da saúde e o marketing médico, mas também trazem riscos consideráveis que precisam ser geridos cuidadosamente. Os médicos devem equilibrar os benefícios de uma presença online ativa com as exigências éticas e legais da profissão. A implementação de práticas seguras e a adesão às diretrizes estabelecidas são essenciais para garantir que o uso das redes sociais beneficie tanto os profissionais quanto os pacientes, minimizando os riscos de responsabilidade civil e promovendo uma prática médica mais transparente e confiável.
6. CONCLUSÃO
O presente estudo investigou o impacto das redes sociais na escolha do médico e sua responsabilidade civil, com base em objetivos que buscaram compreender os critérios de escolha dos pacientes, o papel das avaliações e testemunhos na decisão e o marketing médico nas redes, além de explorar as implicações legais e éticas dessa interação online.
Diante da análise dos resultados, fica evidente que as redes sociais se tornaram uma ferramenta essencial para os pacientes ao escolherem seus profissionais de saúde. As plataformas online oferecem uma fonte abundante de informações e opiniões, influenciando significativamente as decisões dos pacientes. A presença ativa e o engajamento dos médicos nas redes sociais desempenham um papel crucial na construção da confiança e credibilidade dos pacientes, enquanto as avaliações e testemunhos de outros pacientes servem como validação social para a escolha do médico.
No entanto, o uso das redes sociais na prática médica também apresenta desafios, especialmente no que diz respeito à responsabilidade civil dos médicos. A exposição a processos judiciais relacionados a publicações inadequadas ou diagnósticos online ressalta a necessidade de uma abordagem cuidadosa e ética por parte dos profissionais de saúde. Regulamentações claras e diretrizes específicas são essenciais para orientar a conduta dos médicos nas redes sociais e proteger tanto os pacientes quanto os profissionais.
Diante disso, conclui-se que o uso das redes sociais na escolha do médico representa uma mudança significativa no cenário da saúde, oferecendo oportunidades para aprimorar a comunicação e o acesso à informação. No entanto, é fundamental que os médicos ajam com responsabilidade e ética, garantindo que sua presença online beneficie a prática médica e promova o bem-estar dos pacientes. O equilíbrio entre os benefícios e os riscos das redes sociais na saúde requer uma abordagem cuidadosa e consciente por parte de todos os envolvidos.
Assim, recomenda-se uma maior conscientização e educação dos profissionais de saúde sobre as melhores práticas nas redes sociais, além do fortalecimento das regulamentações e diretrizes existentes para garantir uma interação online segura e ética. Somente dessa forma poderemos colher os benefícios das redes sociais na escolha do médico, enquanto protegemos os direitos e a segurança dos pacientes e dos profissionais de saúde.
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