CARACTERÍSTICAS DA VIOLÊNCIA SEXUAL OPORTUNISTA CONTRA MULHERES ADULTAS EM SALVADOR E REGIÃO METROPOLITANA

Os autores informam não haver conflito de interesse.

Carla Patrícia Oliveira da Silva (1)

Bruno Araújo de Jesus (2)

Gabriel Nascimento da Silva (2)

Bruno Gil de Carvalho Lima (1)

(1) Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues, Salvador-BA

(2) Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA

e-mail: brunogil.lima@dpt.ba.gov.br

OBJETIVO

Descrever as características da violência sexual extrafamiliar ou oportunista contra mulheres adultas periciadas no Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues (IMLNR), entre os anos de 2013 e 2018, bem como o atendimento pelos órgãos da Segurança Pública.

MÉTODOS

Foi realizado um estudo descritivo da população feminina da cidade de Salvador e região metropolitana, vítimas de violência sexual perpetrada por indivíduos desconhecidos, com mais de 18 anos de idade, que após sofrerem a violência prestaram queixa à polícia civil e foram encaminhadas para IMLNR para realização de perícia médica (n=345).Os dados coletados foram inseridos em banco de dados usando-se o programa StatisticalPackage for the Social Sciences 21.0 e submetidos à revisão e análise estatística, com resultados apresentados em tabelas.

RESULTADOS

Foi evidenciado que a maioria das agressões ocorreu na cidade de Salvador (73,3%). Dentre os bairros de Salvador com maior incidência da violência, estão aqueles situados nos distritos sanitários de Barra/Rio Vermelho, Cabula/Beiru, Itapuã, São Caetano/Valéria e Subúrbio Ferroviário, que juntos responderam por 52,4% das ocorrências. Grande parte das agressões ocorreu em via pública, no período entre 18h e 6h (72%), principalmente nos meses de fevereiro, março e julho, sendo praticada por um indivíduo. A principal arma utilizada para intimidação das vítimas  foi a arma de fogo. Apesar da informação a respeito de uso de substâncias que pudesse prejudicar a resistência das vítimas ter sido prejudicada, a imensa maioria das participantes negou uso de álcool ou drogas lícitas ou ilícitas nas horas que antecederam a violência. Após a agressão sofrida, a maior parte das mulheres deu queixa em delegacia não-DEAM (85%), e levaram uma média de 16 horas para realizar o exame pericial.

CONCLUSÃO

As vítimas de estupro oportunista periciadas no IMLNR entre 2013 e 2018 majoritariamente foram agredidas em via pública, no período noturno, com concentração em 5 distritos sanitários dos 13 existentes na cidade do Salvador. Durante a violência sofrida, a maioria não havia feito uso de álcool ou drogas, sendo violentadas por agressor único com intimidação por arma de fogo e procuraram atendimento em delegacia territorial não-DEAM, com média de 16 horas entre a agressão sofrida e o exame pericial.


Referências bibliográficas

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