Resumos

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA PERICIADAS EM SERVIÇO DE REFERÊNCIA NA CIDADE DE SALVADOR

Os autores informam que não há conflito de interesse.

Ágatha Conceição da Cruz (1)

Ana Maria Soares Rolim (1)

(1) Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública

INTRODUÇÃO: No ano de 2019, a Bahia foi o quarto estado brasileiro que mais recebeu denúncias de violência contra criança e adolescentes, ultrapassando 4 mil casos. Nesse mesmo período, 58% das crianças e adolescentes sofreram algum tipo de violência na América Latina. De acordo com dados do Relatório da Situação Regional 2020: Prevenindo e Respondendo à Violência contra a Criança, entre todas as regiões do mundo, as maiores taxas de homicídio infantil no mundo se encontram na América.

OBJETIVO: Descrever o perfil epidemiológico das crianças vítimas de violência física doméstica periciadas em Instituição de referência na Região Metropolitana do estado da Bahia, bem como dados relevantes da perícia, no período de 2019-2022.

MÉTODOS: Estudo transversal individuado com abordagem quantitativa e caráter descritivo, cujo desenho é de perfil epidemiológico. A população estudada foi de crianças de 0-11 anos, vítimas de violência doméstica periciadas no Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR). Foram excluídos os laudos de pacientes que foram periciados por outros tipos de violência que não física e doméstica. Os dados foram tabulados e analisados no Programa Excel e apresentados através de números absolutos e percentuais.

RESULTADOS: A amostra do estudo foi de 380 casos de violência doméstica contra crianças periciados no IMLNR entre os anos de 2019 e 2022. Desse total, 54,2% das vítimas eram do sexo masculino. Quanto ao provável autor da agressão, em 34,7% foi a mãe. 291 casos ocorreram no município de Salvador. O mecanismo de ação contundente foi o responsável por 75,3% dos casos. Dos 380 casos, 77,6% das crianças eram pardas. 81,8% das vítimas apresentaram lesões leves. O ano com maior ocorrência de violência foi 2021 com 24,47% das agressões. A lesão que mais ocorreu foi a equimose com 93 casos. A parte do corpo mais acometida pelas agressões foram os MMSS, com 70 casos.

CONCLUSÃO: O perfil epidemiológico das crianças vítimas de violência doméstica física, que foram periciadas pelo Instituto Médico Legal Nina Rodrigues em Salvador, entre 2019 e 2022, evidenciou que a idade mais acometida foi a dos 10 anos, do sexo masculino e procedentes de Salvador. A mãe foi a agressora referida na maioria das violências domésticas físicas das crianças periciadas. Das lesões corporais descritas nas perícias, a maioria foram as equimoses. Sendo o mecanismo de ação mais recorrente, o de ação contundente. Lesões que foram tipificadas como lesões leves. Com isso, a presente pesquisa fornece dados atualizados que podem ser úteis na elaboração de políticas públicas para o combate da violência doméstica contra crianças, além de difundir a problemática que o tema representa para a sociedade.


Referências bibliográficas